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No fim-de-semana passado, eu e os três filhos mais velhos fomos a um casamento ao Alentejo (a Teresa teve de ficar em Lisboa a tomar conta de uma Rita com bronqueolites, otites e outras chatices). E nesse casamento estava lá uma daquelas senhoras para entreter miúdos, com muito jeito para pinturas faciais. Aquilo faz sempre imenso sucesso entre as crianças, e embora já se saiba que a roupa lindinha-casamento vai ficar uma lástima quando eles começarem a passar as mãos pelas bochechas coloridas e de seguida pelo blazer e pela camisa, os pais aceitam qualquer coisa em troca de meia hora a poder apreciar em silêncio as cascatas de camarão (eu, pelo menos, aceito).
A Carolina resolveu pintar uma desinteressante borboleta na cara, com uns brilhantes que depois custaram a tirar como o raio. O Gui ficou um óptimo cão, com a língua vermelha de fora por alturas do queixo. E o Tomás foi mais arrojado, fazendo a vontade ao pai e avançando para o branco e preto esqueleto, naquilo que pretendia ser uma homenagem ao grande Jack de Nightmare Before Christmas. Ao Jack da imagem em baixo, para quem não conhece (volto a recordar que a mãe tinha ficado em Lisboa, e que tudo me era permitido):
E quando saiu das mãos da senhora, não se pode dizer que o Tomás estivesse longe dos objectivos originalmente traçados. Era um Jack muito apreciável, com aquela doçura assustadora que é própria da personagem criada por Tim Burton. Só que, com o correr das horas, a tinta foi dando de si, certas cores fugiram do lugar, e ao cair da noite, o Tomás já estava uma coisa parecida mas totalmente diferente, como se pode verificar nesta foto de qualidade duvidosa tirada pela sua irmã Carolina:
Eh lá! De repente, eu olhava para o Tomás e achava que ele me fazia lembrar alguém. E não, não era o simpático Jack. Até que, finalmente, se fez luz na minha cabeça: era o malvado Joker, no último filme interpretado por Heath Ledger antes dele ir desta para melhor. Por um momento temi que as portas se fechassem e o Tomás começasse a assaltar toda a gente.
Suponho que as pinturas faciais sejam como a vida: num piscar de olhos, aquilo que parece doce e cândido revela-se afinal terrivelmente perigoso. Felizmente, aos sete anos de idade, o Tomás ainda é um bocadinho novo para perceber isso.
A propósito deste post, uma leitura coloca a pergunta: "E quem passa [a chucha] por água?"
Eu agradeço a questão, mas a leitora manifestamente desconhece as regras universais da relação entre a higiene da chucha e o número de filhos, das quais já me referi num lado qualquer que não encontro. Por isso, aqui vão elas outra vez:
1. Quando a chucha do primeiro filho cai ao chão, nós esterilizamos a chucha e depois voltamos a colocá-la na boca da criança.
2. Quando a chucha do segundo filho cai ao chão, nós passamos a chucha por água e depois voltamos a colocá-la na boca da criança.
3. Quando a chucha do terceiro filho cai ao chão, ela vai directamente do chão para a boca da criança.
4. Quando a chucha do quarto filho cai ao chão, chamamos um dos irmãos para a apanhar.
A partir do quinto filho já não sei como é.