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Diálogos em família #32

por João Miguel Tavares, em 18.01.14

- Papá, tu tens filhos favoritos?

- Tenho, Carolina.

- Quantos?

- Quatro.

publicado às 14:34


A mamã é médica #9.1

por Teresa Mendonça, em 17.01.14

Na sequência do pedido da Joana Silva (e da pressão do excelentíssimo esposo), aqui vai um "A Mamã É Médica" sobre a chucha, as suas vantagens e os seus problemas.

 

O reflexo de sucção é inato e surge durante a gestação em quase 100% dos bebés. Por essa altura, os bebés costumam usar os dedos para chuchar, mas depois de nascerem a chupeta, a fralda, um brinquedo ou um cobertor servem para os ajudar a relaxar, concentrar, auto-controlar ou confortar. A maioria das crianças costuma abandonar este hábito entre os 2 e os 4 anos mas cerca de 20% das crianças mantêm-no depois dos 3 anos, sendo mais frequente ocorrer nas crianças que não têm irmãos mais velhos (os primogénitos, sempre os primogénitos) e nas crianças que usam o dedo em vez da chucha.

 

Muitos estudos têm sido feitos sobre os benefícios e riscos associados à utilização da chucha pela preocupação antiga da sua relação com o insucesso da amamentação, problemas dentários a longo prazo e efeito de protecção da Síndrome de Morte Súbita do Lactente (SMSL). Resumamos, então, os prós e os contras que se conhecem até ao momento.

 

A favor da utilização da chucha:

 

- a chucha pode acalmar, controlar e confortar a criança. Não é aconselhável que se utilize para atrasar ou substituir refeições e só deve ser oferecida se a criança não tiver fome. É uma óptima aliada quando precisamos de distrair e sossegar as crianças em situações de colheita de sangue ou administração de vacinas, adormecê-la, ou simplesmente quando precisamos de tirar uma fotografia e as outras medidas extraordinárias não resultam;

 

- está documentada cientificamente a associação entre o uso da chucha durante o sono e a redução do risco da SMSL, apesar de se desconhecer o mecanismo de associação. É, portanto, recomendado o uso da chucha no primeiro ano de vida durante o sono diurno e nocturno, adiando-se a sua introdução para depois do estabelecimento firme da amamentação (+/- um mês), nas crianças amamentadas. Está estabelecido que a chucha deve ser oferecida ao bebé quando este é colocado no berço e não deve ser reintroduzida depois de este adormecer nem forçada a sua utilização se a criança a recusar;

 

- a utilização da chucha pode ajudar a ultrapassar o desconforto/dor nos ouvidos provocado pelas alterações da pressão atmosférica durante os voos;

 

- quando a criança estiver preparada para deixar a chucha esta pode simplesmente deitar-se fora. Quando a criança usa os dedos para se acalmar a tarefa será bem mais complicada.

 

Contra a utilização da chucha:

 

- a utilização precoce de mamilos artificiais ou chuchas parece estar associada com o insucesso da amamentação exclusiva e a diminuição da duração da amamentação, apesar de não ser claro se estes serão a causa ou a solução para um problema existente;

 

- o uso da chucha pode aumentar o risco de otites, mas a sua incidência parece ser menor até aos 6 meses, quando o risco da SMSL é maior e o bebé pode estar mais interessado na sua utilização, pelo que os riscos e benefícios têm de ser bem ponderados;

 

- os problemas dentários provocados a longo prazo pela sucção não nutritiva (chucas/ dedos/ brinquedos/ fraldas) está directamente correlacionada com a frequência, intensidade, duração e natureza do hábito e com factores genéticos e raciais. A utilização de chucha durante o sono até aos 5 anos não é provável que cause problemas irreversíveis e a longo prazo. No entanto, o seu uso prolongado e frequente pode provocar perturbações odontológicas (mordida aberta, mordida cruzada, diastema – espaços entre os dentes –, palato atrésico – céu da boca alto e estreito –, protrusão dos incisivos superiores – projecção dos dentes da frente), alterações no desenvolvimento craniofacial (deficiente desenvolvimento da mandíbula, alterações nas funções reflexo-vegetativas (respiração oral, mastigação e deglutição), alterações na musculatura da língua, lábios e bochechas e dificuldades na fala. É importante aconselhar os pais das crianças que usam chucha até mais tarde a planear o abandono deste hábito antes da erupção dos dentes definitivos, de preferência começando a planear essa suspensão entre os 4 e os 5 anos.

 

Em relação às estratégias de abandono, que era o pedido directo da Joana, receio bem que vá ter de ficar para o post seguinte. Este já vai longo, o dia começa a nascer e eu preciso de ir colocar a chucha à Rita. Mas prometo regressar rapidamente. 

 

publicado às 09:50


Nós existimos, meus senhores #3

por João Miguel Tavares, em 16.01.14

A Suzana Cheong deixou-me ontem esta mensagem no Facebook:

 

Tive uma relação de 26 anos com o meu ex-marido. Eu pensava que ía chegar aos 90 ao lado desse homem. A questão para mim é e será: qual é a receita para a durabilidade do Amor?

 

Eu pedi-lhe autorização para usar esta sua pergunta num futuro post (que é este), mas para não ficar demasiado frustrada com o conteúdo daquilo que pretendia escrever, adiantei-lhe logo a conclusão. A minha resposta à pergunta sobre a receita para a durabilidade do amor é... não faço patavina de ideia.

 

Tal como penso que já ficava sugerido no final do meu primeiro post, tenho uma resistência intuitiva a achar que existe um procedimento qualquer que assegure uma relação longa e feliz. Olhando para alguma da investigação moderna, mais depressa apostava o meu dinheiro na importância de determinados cocktails químicos para justificar o prolongamento do amor do que naquelas coisas que nos habituámos a ouvir sair de bocas mais conservadoras, que falam na importância do sacrifício, da abdicação e da dedicação ao outro.

 

Como é óbvio, qualquer relação feliz envolve sacrifício, abdicação e dedicação ao outro. E claro que se eu viver obcecado comigo próprio, a relação tem tudo para correr mal. O meu ponto está em achar que já existe uma espécie de pré-disposição para essa entrega. Ou seja, será que eu amo porque me sacrifico ou sacrifico-me porque amo? Eu, que já conheci algumas pessoas para quem o altruísmo era uma forma de vaidade e de compensação um bocadinho egoísta, tendo a apostar na segunda. Sacrifico-me porque amo.

 

É por isso que não posso acompanhar, regressando às reacções ao meu primeiro post, comentários como o de Daniel Cabanas (de 15.01.2014 às 12:41) ou de Fernando Saraiva (de 15.01.2014 às 19:00), herdeiros de uma linha mais ou menos apocalíptica que vê o mundo imerso em pecado e afastado dos verdadeiros valores cristãos.

 

O casamento hoje em dia não está em grande forma, mas duvido que fosse muito melhor no Portugal de há 50 ou 60 anos, numa altura em que marido e mulher, ainda que se odiassem, eram obrigados a permancer juntos, a maior parte das vezes em relações profundamente desiguais e apenas por exigência social.

 

Portanto, não olhem, por favor, para o meu discurso como algo de conservador, no sentido de estar a defender a pureza de um ideal que nunca existiu, ou sequer a reclamar o regresso à família tradicional. A minha única intenção foi defender as possibilidades do amor, hoje em dia tão acossado no círculo em que me movo. Se reclamo alguma coisa, é mesmo uma protecção do direito das minorias - que é aquilo em que os monogâmicos convictos se tornaram - à afirmação da sua felicidade sem um olhar de profunda desconfiança.

 

Mas para dar uma resposta ao anónimo que comentou a 15.01.2014 às 20:32, e que disse 

 

Poças... ó João Miguel, com a sua narrativa de perseguição e martírio, já está a formar uma espécie de movimento escatológico.

 

devo dizer que não, que para já ainda não estou a pensar nisso (mas gostei muito do "narrativa de perseguição e martírio"). Fico apenas contente por reafirmar que nem todas as relações são necessariamente consumidas pelo tempo.

 

Os casais felizardos podem até ser apenas uns sortudos do caraças, que fizeram muito menos do que imaginam para continuarem juntos, e a quem simplesmente saiu o bingo da compatibilidade genética ou hormonal. Mas - lá está -, seja por que razão for, eles existem. 

 

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publicado às 15:55


Nós existimos, meus senhores #2

por João Miguel Tavares, em 16.01.14

Bolas, não estava propriamente à espera de abrir a caixa de Pandora... Tanta coisa que há para dizer, e tão pouco tempo. Mas vamos a isso, e repartindo o tema por mais do que um post, porque senão iria ficar uma coisa insuportavelmente longa.

 

Deixem-me começar pela objecção do Pedro, que ontem animou a caixa de comentários em grande estilo e que espero que possa continuar a vir aqui muitas vezes, porque é dono de um belo sentido de humor, tem bom-senso, gosto pela provocação, é homem (eles estão deficitários por aqui) e está casado há 30 anos - tudo grandes qualidades. Tal como ele sugere (cf. comentário de 15.01.2014 às 21:26), temos mesmo de almoçar um dia destes para falar de gajas boas e futebol.

 

Bom, mas entre os seus numerosos comentários ao longo do dia de ontem, destaco este, embora seja onde ele fala mais a sério (sorry) e seja uma resposta à Sofia (já lá vou):

 

(...) nunca, em tempo algum, dei por alguém criticar a minha monogamia com a minha mulher. Somos um casal heterossexual, casado há trinta anos, sempre passámos despercebidos, sem história nenhuma. Bizarro, para mim e para toda a gente que eu conheço, seria o contrário, porque isso sempre foi visto como a normalidade, o padrão. Estou só a agora a ter conhecimento de que há casais criticados por serem monogâmicos e manterem uma relação duradoura, o que para mim é estranho.

 

Em contrapartida, já vi mães solteiras marginalizadas, a grande maioria dos casais homossexuais têm de esconder a sua relação, sob pena de não conseguirem arranjar emprego e, pior, de serem marginalizados pela própria família, e até há pouco tempo, casais em união de facto eram mal vistos, embora agora se esteja a tornar mais comum e aceite.

 

Isto tudo talvez tenha a ver com o círculo em que cada um se move. Talvez em Lisboa, num ou noutro círculo de amigos ou conhecidos, ter uma relação duradoura seja seja de facto criticado, não sei. Também, ao que ouço, num ou noutro canto de Lisboa, mais sofisticado, os casais homossexuais sejam aceites abertamente. Mas parece que estão a falar de outro planeta ;)

 

O Pedro dá no comentário a resposta à sua própria objecção: sim, tem a ver com o círculo em que cada um se move. E portanto, estou a falar de uma classe de jornalistas e de gente letrada (ou seja, que se acha super-esperta) onde não passa pela cabeça de ninguém discriminar um homossexual ou marginalizar uma mãe solteira, mas onde um caso como o meu - um tipo que se casou com a namorada da adolescência e assim se mantém desde 1992 - é uma absoluta raridade.

 

Donde, o Pedro tem toda a razão no que diz - estou a falar de um determinado grupo lisboeta, não particularmente numeroso, mas cuja filosofia de vida diria já ser dominante entre a classe média e média alta dos grandes meios urbanos, tirando aquela parte da linha de Cascais que faz muitos filhos e vai à missa. Mas apesar do seu número, estou igualmente a falar de um grupo com muita projecção em termos mediáticos.

 

Eu não sei onde vive o Pedro, mas eu nasci e ainda vou muitas vezes a Portalegre. É evidente que em Portalegre o retrato da cidade e das suas relações sociais está muito mais próxima daquilo que o Pedro descreve, e não daquilo que eu descrevi no post anterior. Donde, sim, depende muito do círculo em que cada um se move.

 

Agora, objecção ao Pedro, que isto por aqui não é só graxa: no meu caso, não estou obviamente a falar de marginalização. E mesmo o verbo "criticar" (há casais criticados por serem monogâmicos) parece-me demasiado forte para classificar o sentimento a que me referi. As pessoas não criticam. As pessoas apenas duvidam, até mais vezes por indirectas do que por directas, da possibilidade de uma relação longa, estável e genuinamente feliz. É uma espécie de totalitarismo da relatividade, de erguer o famoso "que seja infinito enquanto dure" do Vinicius a verdade universal. É isso que me encanita, e é isso que motivou o meu post.

 

No entanto, e referindo a Sofia, como prometi (comentário de 15.01.2014 às 17:01), eu subscrevo inteiramente o que ela escreve:

 

Minha gente, somos sete mil milhões, não podemos ser todos iguais, levar todos o mesmo estilo de vida. Há pessoas monogâmicas e poligâmicas, heterossexuais, homossexuais, bissexuais, pessoas que casam com o primeiro namorado(a), pessoas que só casam ao fim de não sei quantas relações, pessoas que nunca casam, pessoas que apenas vivem juntas sem se casarem, casamentos conservadores, casamentos abertos, pessoas que mantêm um relacionamento sem viverem juntas, enfim, o único limite é a imaginação.

 

O que eu acredito é que toda a gente tem o direito de viver a sua vida conforme bem entender, seja ela qual for, sem ser criticado por isso.

 

Mas, se subscrevo, não acho que seja uma resposta totalmente satisfatória - e aqui já estou a entrar num outro assunto - quando se trata de propor um agir, em particular quando se tem filhos. Eu não posso dizer à Carolina, ao Tomás, ao Gui ou à Rita, sobretudo quando forem adolescentes, "eh pá, faz o que te apetecer, desde que não chateies ninguém".

 

Sendo eu um liberal, a filosofia do "laissez faire, laissez passer" é muito acarinhada no meu coração. Só que:

 

1) pode ser demasiado pobre e ineficaz em matérias sentimentais ou quando as pessoas procuram um sentido para as suas vidas;

2) no caso em apreço trata-se de haver uma camada de pessoas muito leitoras e muito pensadoras que deram uma volta de 180 graus e deixaram de admitir a existência do "e foram felizes para sempre".

 

Eu digo apenas sobre o "foram felizes para sempre": são poucos, mas há. Porque é que há e porque é que são poucos? Esse é o tema do post seguinte.

 

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publicado às 10:32


Ainda a Joana e as chuchas

por João Miguel Tavares, em 15.01.14

Eu tinha prometido neste post sobre a Joana e as chuchas que dedicaria a maior atenção às partilhas dos leitores. A minha ideia era trazer para o corpo central do blogue os melhores textos sobre o tema. Só que eles são tantos e a qualidade geral é tão alta que agora acho que aquilo que estava a pensar inicialmente já não faz grande sentido. Sorry, é mesmo preciso ir ler a caixa de comentários.

 

Portanto, serve este post apenas como justificação, aproveitando de caminho para deixar aqui um grande obrigado a quem lê e partilha as suas experiências, de forma puramente altruísta. Juro que nunca esperei ter tão bons leitores neste blogue. Tem sido um privilégio estar aqui deste lado - e não é para dar graxa. É mesmo sentido.

 

publicado às 15:39


Nós existimos, meus senhores

por João Miguel Tavares, em 15.01.14

Vou dizer-vos uma coisa que me irrita tanto quanto as pessoas guardarem mesa no McDonald's sem estarem a comer ou não se saberem encostar à direita nas escadas do metro: irrita-me profundamente quem acha que o amor, todo o amor, qualquer amor, envolve invariavelmente, no longo prazo, uma dose cavalar de abdicação dos impulsos vitais do ser humano e de acomodação ao ramerrame de uma relação mais parada do que as águas de uma barragem onde já não chove há meses.

 

Tens uma relação estável há 20 anos? Então é porque as coisas verdadeiramente boas da vida não te interessam. Casaste-te com a tua primeira namorada? És um analfabeto sentimental, que nunca andou metido na divertidíssima montanha russa das paixões. Subitamente, parece que a monogamia é vista como uma falha: permaneces numa relação apenas porque nunca viste melhor; a fidelidade torna-se o refúgio dos que receiam pôr um pé fora do ninho. É como se o amor andasse de mãos dadas com uma espécie de cobardia existencial.

 

No dias de hoje, um monogâmico ou é um infeliz ou é um coninhas. E se garantir a pés juntos que não é uma coisa nem outra, é um mentiroso.

 

Chiça, como esta maneira de pensar me irrita! É que eu estou sempre a levar com ela em almoços e jantares, ainda que por indirectas. E sabem porquê? Porque na porra deste mundo em que todos nós nos adoramos e nos consideramos o centro do universo, já que no domínio do indivíduo se fez uma revolução copernicana mas ao contrário, aqueles que fogem à norma só podem ter uma qualquer falha estrutural. Um casamento só pode ser uma de duas coisas: feliz e instável ou estável e infeliz. Estável e feliz? Isso não. É uma impossibilidade lógica, segundo o Teorema das Paixões Modernas.

 

Eh pá, eu admito perfeitamente que duas pessoas amarem-se profundamente durante uma vida inteira é uma raridade, assim como descobrir pepitas de ouro numa ribeira ao pé de casa ou um poço de petróleo no quintal. Mas bolas: é possível. Difícil, muito raro, mas possível. E portanto, enquanto o amor de longo prazo for uma genuína ambição humana - porque continuar a ser, já que praticamente ninguém abdica, nalguma altura da sua vida, de procurar o Mr. ou a Mrs. Right -, as pessoas que o conseguem praticar não devem ser olhadas como freaks ou nerds, mas como excepções, raridades, epifenómenos que devem ser olhados com carinho e atenção.

 

Ou seja, a atitude das pessoas deveria ser exactamente a oposta à habitual. Um casal monogâmico que se assegura feliz há trinta anos é um objecto digno de admiração - e não de dúvida imediata e permanente quanto à sinceridade dos seus sentimentos. Abaixo este totalitarismo relativista que quer enfiar toda a gente no mesmo saco! Até parece que a única forma que muitas pessoas têm para justificar as vezes em que as suas relações correram mal é garantindo a impossibilidade das relações dos outros correrem bem.

 

Atenção: não se trata aqui de defender o quão espantosos, únicos, meritórios e dignos de admiração são os monogâmicos de longo prazo. Mais: admito perfeitamente que eles não tenham mérito quase nenhum. Talvez seja mera sorte. Talvez seja uma qualquer compatibilidade hormonal. Talvez esteja tudo nos genes, e não num qualquer caminho sentimental digno de aplauso.

 

Mas, por favor, estudem essas pessoas - não duvidem delas. Ponham-lhe o sangue em pipetas, encham as suas caixas toráxicas de fios, scaneiem-lhes o cérebro. Sim, um amor que dura décadas é uma raridade. Sim, pessoas genuinamente apaixonadas dos 17 aos 97 são para aí 0,001% da população mundial. Mas existem. Existem. EXISTEM, PORRA!

 

E pronto, era só isto. 

 

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publicado às 09:42


Eu estou com a Joana #2

por João Miguel Tavares, em 14.01.14

Estava eu a responder a um comentário da Joana Silva a propósito deste post, quando de repente percebi que a resposta que lhe estava a dar poderia ser ela própria um bom post para o blogue, na medida em que elaborava sobre uma coisa de que me tenho vindo a aperceber progressivamente e que não vejo muitas vezes comentada.

 

Podemos resumir a coisa desta forma: nós somos péssimos a corrigir certos defeitos dos nossos filhos quando sentimos que nós próprios tínhamos esses defeitos quando éramos da idade deles.

 

Não sei se me faço compreender, mas seguem exemplos para tornar isto mais claro.

 

Por exemplo, a Joana abordou a Teresa com o problema clássico de como conseguir tirar a chupeta a um filho, sobretudo quando ele há muito passou a idade de andar com um penduricalho na boca. Mas a Joana deixou também um link para o seu blogue onde aborda o assunto da chupeta de forma mais detalhada. A certa altura, ela conta isto:

 

Não quero tirar-lhe a chupeta à força, comigo correu mal e passei a chuchar no dedo até à adolescência. Sempre disse que quando chegasse a altura certa ele saberia entregar a chupeta, mas já percebi que vai ser um processo doloroso! 

 

Não quero estar aqui com reflexões freudianas de trazer por casa, até porque não percebo nada do assunto. Quero apenas consolar a Joana dando-lhe exemplos de como, cá por casa, nós temos o mesmo problema com coisas diferentes, mas que vão entroncar num padrão comum: damos um mega-desconto aos filhos sempre que reconhecemos que nós também sofremos com determinado assunto quando éramos pequenos.

 

Ora, isso eleva, demasiadas vezes, o nosso grau de tolerância em relação a certas coisas, e provavelmente não devia ser assim. Até porque nada obriga a que eles sigam os nossos passos.

 

Digo "provavelmente" porque há um lado bom nesta atitude: nós não queremos ser hipócritas. Não queremos exigir aos nossos filhos aquilo que não queríamos fazer quando tínhamos a idade deles. Parece-me um bom sentimento. Mas, em tais casos, talvez o melhor seja atribuir às respectivas caras-metades, que não partilham os nossos "traumas de infância", a resolução desses assuntos em específico.

 

Exemplos concretos muito cá de casa. Eu, por exemplo, tenho uma imeeeeeeensa tolerância com as esquisitices de guarda-roupa do Tomás. O Tomás morre de medo de ser envergonhado na escola por ter uma t-shirt demasiado bebé, um casaco demasiado colorido, uma calças com um padrão demasiado rebuscado, e sei lá mais o quê. Não suporta que alguém goze com ele. Só que aquilo é manifestamente excessivo, e ele às vezes já inventa gozos e vergonhas onde eles não existem.

 

Mas lá está - eu, que sou frequentemente um bruto, neste tema em particular sou 100% manteiga. Ao contrário da Teresa, que sobre isso é muitíssimo mais dura do que eu. Porquê? Porque eu passei exactamente pelo mesmo do Tomás quando tinha a idade dele. Olho para ele e vejo-me a mim. Também eu era super-tímido e envergonhado com porcarias que não tinham interesse nenhum.

 

A excelentíssima esposa tem o mesmo problema, só que com temas diferentes. A Teresa, por exemplo, tem uma tolerância, aos meus olhos incompreensível, com os medos nocturnos da Carolina e a paixão que ela tem por dormir com outras pessoas (salvo seja). Seja madrinhas, primas, mãe ou pai, a Carolina adora sentir-se acompanhada, e eu passo-me da cabeça com as fitas que ela às vezes faz para arranjar companhia. Tal como me passo da cabeça com o número (imeeeeeenso) de vezes que a Teresa cede e fica um bocadinho na cama com ela até adormecer (como a excelentíssima esposa é sofisticada, ela argumenta que está a ter conversas "muito importantes" com a filha).

 

De onde é que vem todo esta tolerância para com o adormecimento mariquinhas de uma miúda que tem quase 10 anos? Lá está: da própria história pessoal da Teresa, que dormiu acompanhada durante muito tempo na sua infância e que sentia os mesmos medos que a Carolina. Eu, que nunca passei pelo mesmo, tenho bastante menos compreensão em relação a este tema em particular.

 

Eis a razão, Joana, porque acho que toda esta situação lhe está a ser tão difícil: a Joana projecta com grande facilidade no presente aquilo que tanto lhe custou no passado. Como eu a compreendo. Duvido é que nesta altura do campeonato consiga tirar a chucha da boca ao seu filho sem haver um par de noites complicadas. Mas se ele não a usa na escola é optimo sinal: significa que é sensível à pressão social e que, a bem dizer, já não precisa dela para grande coisa.

 

Mas conselhos mais fundamentados só mesmo oriundos da mamã que é médica. Ou de sábios leitores que já passaram pelo mesmo. Venham daí as partilhas, que eu prometo dar-lhes a minha melhor atenção aqui no blogue.

 

publicado às 10:19


Eu estou com a Joana

por João Miguel Tavares, em 13.01.14

Um pedido da Joana Silva:

 

Teresa, sei que o tempo não deve ser muito... mas gosto tanto de ler estes posts da "mamã é médica". Posso pedir um tema, posso (como diz o meu filho)? Como conseguir que o meu filho de 3 anos deixe de uma vez por todas a chupeta?

 

E como eu estou com a Joana, o pedido vem mesmo para aqui, para o corpo do principal do blogue, a ver se a excelentíssima esposa se comove. (Isto porque eu já estou a pedir que ela regresse ao A mamã É Médica para aí há seis meses - acho que consegui demorar menos tempo a convencê-la a namorar comigo.)

 

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publicado às 14:43


Adeus ao Natal ... e ao Eliseu

por Teresa Mendonça, em 13.01.14

Este fim-de-semana a nossa casa despediu-se do Natal. Todos trabalharam.

 

 

 

 

 

 

 

 

Enfim, uns mais do que outros. 

 

Houve quem se deitasse ao sol, como a cigarra,

 

 

e quem aproveitasse o elemento mais pequeno da família para fazer modelos de noivas.

 


E até houve quem começasse cheio de entusiasmo (com três horas de atraso) a enrolar afincadamente os fios de iluminação da árvore de Natal, até ser interrompido, 10 minutos depois (foi tão rápido que nem deu para tirar fotografia) por telefonemas importantíssimos (mesmo ao domingo) e exigências de agenda, que o obrigaram a uma retirada súbita, ou não estivesse ele na corrida ao Eliseu.

 

A Ritinha aproveitou de imediato a distracção da mãe e a deserção do pai para atacar o forte dos cowboys dos manos, já que ninguém estava a deixá-la comer as pedrinhas do presépio, nem jogar basquetebol com as bolas da árvore de Natal. Os reforços não chegaram a tempo de impedir o massacre dos soldados da Playmobil e respectivas instalações.

 

 

Foi triste, mas pelo menos obrigou o dito candidato a suspender a agenda política para voltar a reconstruir o forte. O que me deu uma excelente ideia.

 

Dentro em breve estou a pensar soltar o nosso pequeno Godzilla doméstico junto aos livros que há vários meses o futuro presidente de França tão meticulosamente mantém em sacos à porta da biblioteca, à espera de ter tempo (daqui a um século) para os arrumar.

 

 

Já que o pobrezinho anda tão atarefado a escolher a equipa da sua presidência, talvez tenha chegado a altura das mulheres da casa lhe darem uma ajudinha na arrumação. Ele costuma gostar tanto que lhe mexam nos livros... Parece-te bem, amor?

publicado às 10:32


"Porque o meu pai disse que era para inventarmos"

por João Miguel Tavares, em 13.01.14

Eu tenho alguns problemas com certos exercícios de Português (e às vezes até de Matemática) dos meus filhos. Acho frequentemente que as perguntas estão mal formuladas ou são de interpretação mais do que dúbia.

 

Ontem, a Carolina estava a fazer uma ficha baseada num conto de João Aguiar, em que uma pergunta parecia de resposta fechada mas que eu só conseguia entender minimamente se ela fosse de resposta aberta, na medida em que não descobri nada no texto original que nos ajudasse a saber quem era o tal "senhor de bata branca". Então disse à Carolina, já sem grande paciência para aquilo: "Olha, inventa." E ela levou a minha sugestão tão à letra que respondeu isto:

 

 

"Eu acho que é um médico porque eles estão sempre de bata branca e porque o meu pai disse que era para inventarmos."

 

Ora embrulha. Suponho que não vá restar nada do meu prestígio pedagógico depois da professora ler o TPC da minha filha. Mas a verdade é que: 1) eu disse aquilo; 2) inventar em vez de deixar uma resposta em branco é um dos melhores conselhos que lhe posso dar na sua vida escolar (já para não falar na própria vida, sem o escolar).

 

Portanto, para meu grande azar, ficou mesmo assim. Eu passo vergonhas, mas a sinceridade ganhou o dia.

publicado às 10:11




Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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