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Serviço perfeito para convidados indesejados

por João Miguel Tavares, em 07.01.14

Estão a ver aquela prima super-chata que de repente aparece em vossa casa sem estarem à espera? Pois eu acabei de encontrar o serviço ideal para colocar na mesa numa dessas aborrecidíssimas ocasiões. Ora vejam:

 

 

 

 

 

 

 

 

A autora destas formiguinhas pintadas à mão é a artista alemã Evelyn Braclow. Há várias peças à venda no site Etsy, com preços a andarem ali entre os 100 e os 500 dólares. Não é nada barato. Mas para grandes melgas, pequenas formigas.

publicado às 10:16


Esta noite também fomos a Belém

por Teresa Mendonça, em 07.01.14

Esta noite de Reis a oração da noite foi no presépio, em jeito de entrega dos nossos presentes ao Menino.

 

publicado às 01:09


Sobre a infantilização das crianças #4

por João Miguel Tavares, em 06.01.14

Uma das grandes alegrias de ter um blogue é termos a sorte de encontrar óptimos leitores. Felizmente, eles não têm faltado ao Pais de Quatro, e só tenho pena de não poder trazer mais comentários para a main page. A propósito deste post, escreveu o leitor intitulado Livros e Outras Manias (é também nome de um blogue, de autor anónimo):

 

Os contos tradicionais, mesmo os do século XIX, são fruto também dum tempo muito mais violento do que o nosso, ao contrário do que possa parecer aos mais desatentos. (Há um livro de Steven Pinker, muito recente, sobre isto: The Better Angels of Our Nature.)

A menor violência em filmes e séries direccionadas para crianças pode ser um reflexo dessa menor violência nas nossas sociedades e da menor tolerância a essa violência por parte das sociedades aburguesadas que somos. Alguns vêem nisto apenas mediocridade, mas também há um apagamento dessas arestas violentas e mais feias da sociedade. É menos interessante? Talvez, mas será que queríamos voltar a tempos bem mais agrestes para as nossas crianças?

Depois, é também importante que as crianças não naturalizem a violência como algo comum. Obviamente, não devem estar numa redoma. Mas basta ver televisão e a redoma desfaz-se logo.

Já agora, em termos pessoais, não me parece que faça mal ver filmes um pouco mais violentos. Absolutamente nada contra. Parece-me apenas que esta "infantilização" tem como causa uma menor tolerância da violência.

 

É uma óptima perspectiva, embora me pareça que a questão da naturalização da violência seja, aí sim, mais uma questão do adulto do que da criança, para a qual a violência é, em geral, mera encenação (como brincar aos índios e aos cowboys). Mas a verdade é que eu tenho o livro The Better Angels of Our Nature na minha estante há demasiado tempo. Comprei-o em versão hardcover, segundo a Amazon (que vigia todos os nossos passos), a 15 de Setembro de 2012. Nunca o li. Suponho que seja mais do que tempo para o resgatar da estante.

 

Um outro leitor, o André, não concorda totalmente com aquilo que escrevi:

 

Olá JMT, é realmente um debate interessante, deixo algumas notas:

a)"mas aos olhos de uma criança significa a destruição definitiva do mal. O lobo que só foge com o rabo queimado, pelo contrário, está apenas ferido e pode muito bem regressar."; 

isto parece-me ser muito mais uma visão de um adulto do que de uma criança, o adulto é que "racionaliza" que o Lobo pode voltar, se nós acabarmos a história com um "e o lobo desapareceu para sempre" imagino que muitas crianças aceitem facilmente a premissa (além da visão punitiva e irremediável da coisa)

b)"Os contos tradicionais, oriundos de uma oralidade perdida na noite dos tempos, tinham essa função bem definida"; 

os contos tradicionais evoluem muito ao longo dos séculos, e tenho dúvidas sobre se em vez de visão "educativa" não devíamos falar de dimensão "moralista" (associada aos tais conceitos de punição), na evolução destes. Além de que se pensarmos na versão moderna dos 'folk tales' (as lendas e mitos urbanos), muitas vezes também encontramos neles uma necessidade de controlo e advertência aos "perigos do mundo". Eles acabam por educar as crianças, é verdade, mas para que tipo de mundividência? (acho que esta é uma das questões essenciais).

Além de que os contos tradicionais, na sua origem, nunca foram só para crianças, portanto quando eles são 'adaptados' para um público mais infantil, numa sociedade menos supersticiosa e mais avançada, é natural que sejam suavizados. Estar a argumentar que esta "suavização" pode afectar o compasso moral dos mais novos, parece-me altamente discutível, ao nível de dizer que as pessoas precisam da religião para serem boas.

 

Apenas um esclarecimento adicional da minha parte. Como eu tentei explicar, não acho propriamente mal que se proceda a uma suavização dos contos tradicionais. Acho apenas errado que essa suavização se torne um discurso mais ou menos exclusivo, ao ponto de qualquer leitura alternativa ser considerada "demasiado violenta" e, portanto, "desaconselhável".

 

O meu ponto central é este: a infantilização tem a ver com um determinado discurso açucarado que se vai aos poucos afirmando como o único possível. É a isso que me parece importante resistir, até como defesa da diversidade dos imaginários. Por isso elogio tanto Hayao Miyazaki (ou Neil Gaiman, ou o próprio Tim Burton) e insisto tanto para que os meus filhos o vejam - é uma maneira radicalmente diferente de contar histórias, e isso é extremamente enriquecedor.

 

Todo o trabalho dos estúdios Ghibli vai, aliás, nesse sentido, e se por aí houver alguém que já tenha visto um filme chamado O Túmulo dos Pirilampos, do Isao Takahata, perceberá com certeza o que significa o respeito pela inteligência das crianças, a exigência colocada naquilo que devem ver e a fé no que conseguem aguentar. Nunca na minha vida devo ter chorado tanto a ver um filme. E aquilo é suposto ser para miúdos.

 

publicado às 22:37


Sobre a infantilização das crianças #3

por João Miguel Tavares, em 06.01.14

Voltemos, então, à história da infantilização das crianças (posts anteriores aqui e aqui), e em particular às razões por que eu acho que o Henrique Raposo foi demasiado generoso para com o senhor Walt Disney no seu texto original no Expresso.

 

Não me entendam mal: eu adoro uma vasta pilha de filmes da Disney, e sobre todos os assuntos há sempre perspectivas muito diferentes. Aliás, a propósito de filmes muito recentes (da Disney e não só), a Ana Markl deixou no meu Facebook um link para um texto interessante, que tem uma perspectiva absolutamente contrária àquela que está a ser adoptada aqui sobre os filmes de animação, defendendo que algumas das mais recentes longa-metragens animadas estão mais adultas.

 

Ou seja, não me custa admitir a existência de picos de negrura, digamos assim, e que um Frozen ou um Entrelaçados sejam, apesar de tudo, menos infantis e mais negros do que um Winnie the Pooh ou um Chicken Little. Não será propriamente por acaso, já que tanto Frozen como Entrelaçados nascem do desejo da Disney em regressar aos contos tradicionais: o primeiro é inspirado no conto de Hans Christian Andersen A Rainha do Gelo e o segundo no Rapunzel dos irmãos Grimm. E quanto mais tradicional, mais negro.

 

Ainda assim, o que me parece é que a Disney se impôs precisamente através da domesticação dos contos tradicionais, retirando-lhes os seus factores de perturbação, limando-lhes as arestas, açucarando-os. Mesmo aquilo que para a minha geração continuava a ser o momento mais traumático dos filmes para crianças - a morte da mãe no filme Bambi (baseado numa novela austríaca de 1923, e não num conto tradicional) - nunca chega a ser visto. A morte da mãe de Bambi ocorre num belíssimo e pungente fora de campo. Não retira em nada a sua força, mas não deixa de ser uma elipse, que afasta o olhar da criança da contemplação directa da morte.

 

 

Não há aqui nenhum desejo da minha parte de andar a atirar o horror e o sofrimento à cara das crianças. O Bambi já é suficientemente assustador assim. Mas veja-se, por exemplo, Os Três Porquinhos, em que se deixa que o lobo mau se escape apenas com o rabo queimado, quando no conto original ele morre na panela de água a ferver e é comido pelos porcos.

 

O problema está em que se começa a deixar fugir o lobo apenas com o rabo queimado e se acaba a cantar, 80 anos depois, "atirei o peixe ao gato/ mas o gato não comeu", como contava a leitora Cris num comentário ao primeiro post (02.01.2014 às 12:44), num alastramento do politicamente correcto e de uma hiper-protecção que é completamente contraproducente.

 

 

E contrapoducente porquê? Porque a morte do lobo e a sua ingestão pelos porcos pode ser vista como uma crueldade horrível, mas aos olhos de uma criança significa a destruição definitiva do mal. O lobo que só foge com o rabo queimado, pelo contrário, está apenas ferido e pode muito bem regressar.

 

O que quero dizer com isto é que a ausência de confronto das crianças com aspectos mais tenebrosos da vida não me parece que seja necessariamente mais educativa para elas. A injustiça e o mal continuam a pairar, porque pairam sempre, é impossível criá-los numa redoma, e depois falta-lhes instrumentos que enquadrem esse mal, que o aprisionem e o tornem controlável. Os contos tradicionais, oriundos de uma oralidade perdida na noite dos tempos, tinham essa função bem definida.

 

Uma nota, bem sublinhadinha, para quem gosta muito de ver o mundo a preto e branco: eu não estou a dizer que os filmes da Disney são maus. Os meus filhos vão vê-los sempre, mal acabam de estrear. O que eu digo é que eles estabeleceram uma fórmula adocicada de sucesso planetário, e não devem ser a única coisa que eles vêem. É como se os estivéssemos a alimentar apenas a chocolate. Não é bom. O imaginário, como a barriga, merece e precisa de outras variedades.

 

Mais uma vez este post já vai longo, e falei apenas de cinema. Se fôssemos para os domínios da música, a situação é bastante mais pobre. E em relação aos livros infantis, passa-se um outro fenómeno, também ligeiramente pernicioso, que vale a pena abordar numa próxima oportunidade: a "adultização" das histórias para crianças. Fica prometido.

publicado às 10:06


Ainda sobre prendas e encomendas

por João Miguel Tavares, em 06.01.14

A propósito deste post da excelentíssima esposa, a ML deixou na caixa de comentários esta partilha muito bonita, que embora funcione contra mim, achei por bem trazer para aqui, que eu cá sou todo democracia. Numa segunda-feira tão cinzenta, é uma boa forma de começar a semana:

 

A minha mãe sempre me fez o mesmo quando passava férias de verão na aldeia com a minha avó. Ainda hoje me lembro de quase todos os mimos que recebi. E da história por detrás de cada um. Nunca esquecerei essas e outras atenções que os meus pais têm para comigo e para com o meu irmão!

 

Hoje o meu irmão está na Polónia, tem 30 anos, e todos os dias, mas todos os dias, recebe um email de bons dias da minha mãe, com uma fotografia de momentos especiais em família. Para que nunca se esqueça que estamos sempre com ele.

publicado às 10:00


Sobre essa coisa do bebé do ano

por João Miguel Tavares, em 06.01.14

Eu já escrevi há muito tempo sobre essa mega-aldrabice chamada "primeiro bebé do ano", em que subitamente se descobre que não sei quantos bebés pelo país inteiro nasceram exactamente entre a meia-noite e a meia-noite e um minuto de um qualquer dia 1 de Janeiro. OK, contem-me histórias - em termos estatísticos, é tão provável quanto ganhar o Euromilhões.

 

Ora, esta competição pelo momento de glória anual das maternidades, que assim aparecem em todos os telejornais, foi agora desmontada pelo Vítor Cunha, no blogue Blasfémias, numa outra perspectiva: a preponderência da Maternidade Alfredo da Costa nesta tão divertida competição neonatológica. O seu texto e as suas contas podem ser analisadas aqui.

 

 

Notícia do DN de 2012: "É menina e os pais ainda não decidiram como se chamará, nasceu na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, e é a primeira bebé portuguesa do ano, nascida 'às zero horas... e cinco segundos', indicou o bloco de partos."

publicado às 09:41


Diálogos em família #30

por João Miguel Tavares, em 05.01.14

- Papá, tu acreditas no pudismo?

- No quê, Carolina?

- No pudismo. Eu vi na televisão que eles acreditam na reencarnação, e que quando uma pessoa morre depois volta num outro corpo. E se tu te cruzares com ela na rua, vais ter a sensação de que já a conheceste.

- Deves querer dizer budismo, Carolina.

- Sim, isso, o budismo. Acreditas?

- Bom, na nossa cultura cristã, nós acreditamos antes que as pessoas quando morrem vão para o céu.

- Eu acredito nas duas coisas. Acho que as pessoas boas, como a tia Armanda, deviam voltar outra vez.

- Sim, mas para acreditares nas duas coisas só se criares a tua própria religião.

- A tia Armanda era muito boa, mas também tinha os seus defeitos, não era, papá?

- Como todas as pessoas.

- Então, a parte dela que era um bocadinho má ia para o céu, para aprender a ser boa junto de Deus. E a parte boa reencarnava e voltava outra vez para a terra. O que é que achas?

- Parece-me bem, Carolina.

publicado às 23:41


Saudades deles

por João Miguel Tavares, em 03.01.14

Hoje alguém me perguntava sobre os miúdos e eu explicava que esta semana tinha estado sozinho em Lisboa, com os filhos todinhos na província. Sucedeu-se o seguinte diálogo:

 

- Já tem saudades deles, não é?

- Não. Por acaso não tenho.

- Ah, ah ah, está a brincar.

- Não, não estou. Eles estão óptimos. Falamos ao telefone.

- Mas sente-se sempre um bocadinho a ausência.

- Não.

- Parece que falta alguma coisa em casa.

- Não, está lá tudo. Ouça, só passaram cinco dias desde que os vi pela última vez. Para eu ter saudades têm de passar pelo menos 15.

 

A pessoa ficou a olhar para mim como se eu fosse muito brincalhão, ou meio parvo, e ela não quisesse acreditar.

 

Mas que caraças. Será que um bom pai tem de ficar perdido de saudades dos seus filhos dois minutos depois de lhes tirar a vista de cima?

 

Tenho quatro filhos. Estou junto deles, contas altas, 350 dias por ano. Sobrarão uns 15 em que consigo estar sem nenhum deles (quando eles são bebés, nem isso). Isto dá uma média de 95,89% dos dias do ano junto dos meus filhos de manhã, à noite e muitas vezes no meio.

 

Será que me permitem passar os restantes e depauperados 4,11% dos dias em paz e sossego, a recarregar baterias, a ler e a escrever, e sem o mais leve vestígio de problemas de consciência, nem a menor saudade, nem o mais ínfimo suspiro, nem nadica de nada que não seja uma vaga lembrança e um estado de perfeita solidão e espírito zen?

 

Eu não fui para a guerra, caraças. Eles estão a divertir-se à bruta, longe de mim. Os avós estão a estragá-los com mimos, que também é uma coisa importante. Estão a aprofundar laços e a saborear o facto de haver mais gente no mundo, além dos pais, que gosta muito deles, o que é uma coisa fundamental. E eu estou a aproveitar as minhas mini-mini-mini férias paternais, que deveriam ser um direito constitucional.

 

Posso? Obrigado.

 

E agora vou agarrar no carro, que tenho de ir buscar três deles a Portalegre.

 

publicado às 15:38


Com licença, obrigado e desculpa

por João Miguel Tavares, em 03.01.14

Há um par de dias, na televisão, Bagão Félix chamou a atenção para estas palavras do Papa, proferidas numa homilia:

 

"Com licença", "obrigado" e "desculpa" são as três palavras da convivência. Quando elas são usadas, a família vai bem.

 

É uma frase simples, verdadeira e um excelente conselho para todos nós.

 

Mas manda o rigor dizer que o Papa não está a citar os Evangelhos. Ele está a citar a Xuxa:

 

 

Longa vida aos papas latino-americanos.

publicado às 14:53


Sobre a infantilização das crianças #2

por João Miguel Tavares, em 03.01.14

Bom, este tema dá pano para infindáveis mangas, e há queixas de alguns leitores que nem sequer partilho pessoalmente. Por exemplo, o facto de a atenção das crianças ser hoje mais reduzida do que antigamente. Não sinto isso nos meus filhos.

 

Fico sempre espantado quando alguém se queixa que o seu filho não aguenta uma longa-metragem do princípio ao fim. Os meus começaram invariavelmente a ir ao cinema antes dos dois anos, e nunca tive problemas com eles. Talvez seja sorte minha. Mas, quando olhamos para os tijolos harrypotterianos que eles digerem com enorme enlevo, por exemplo, não me parece que a incapacidade de concentração possa ser considerada um problema generalizado. Na escola, também nunca tive essas queixas.

 

Aliás, a escola é um bom campo para certas ideias feitas que urge desmontar, como, por exemplo, a do facilitismo. O programa do ensino básico é hoje muito mais exigente do que era no meu tempo - os nossos filhos têm tudo para virem a ser mais cultos, melhor formados e mais exigentes consigo próprios do que nós algum dia fomos. Mas isso é outro tema, para uma outra altura.

 

O que é verdade, no entanto, é que a velocidade dos desenhos animados e dos filmes é muitíssimo superior hoje do que era há 30 anos. Mas aí, diria que há um muito irritante frenesim da montagem herdado dos videoclips, do cinema de acção e dos jogos de computador, potenciado na animação por questões económicas, já que as mudanças constantes de plano permitem esconder a falta de movimento dentro dos próprios planos, que é o que custa mais €€€€.

 

Nesse sentido, considero que a qualidade da animação televisiva, em termos não tanto de argumento (porque há desenhos animados bem divertidos) mas da própria animação, é muito mais pobre do que na nossa juventude. Posso garantir por experiência própria que não é necessariamente o mercado a responder às novas exigências dos consumidores - os meus filhos adoram o Conan, o Tom Sawyer, o Dartacão (este já mais pobre). São eles, enquanto pequenos consumidores, que têm de se adaptar à oferta do mercado.

 

"Conan, o Rapaz do Futuro", de Hayao Miyazaki 

 

E este é o ponto central. Existe, na minha opinião, bastante falta de arrojo no cinema de animação (e nos blockbusters, já agora) actuais. Na televisão, há alguma imaginação mas falta dinheiro para fazer melhor. No cinema, há muito dinheiro mas a imaginação já viu melhores dias.

 

Há quem fale da Pixar, e a Pixar, de facto, foi uma impressionante fábrica de obras-primas. Mas isso acabou com Toy Story 3, e os últimos filmes já são um morder da própria cauda. A Disney, essa, é sempre inatacável em termos técnicos, mas está, na minha opinião, numa encruzilhada criativa, da qual nem John Lasseter a conseguiu resgatar. Estúdios como a DreamWorks ou a Blue Sky têm laivos pontuais de inspiração, e depois há uma miríade de pequenos estúdios que cresceram à sombra do digital e que, de um modo geral, só fazem lixo.

 

Depois, como em tudo, existem excepções. A maior de todas é aquele que, para mim (e para quase toda a gente, na verdade), é o maior realizador de filmes de animação de todos os tempos: o japonês Hayao Miyazaki. Aliás, há novo filme em 2014 (ele diz que será o seu último, mas não é a primeira vez que o diz), e já estou a salivar por antecipação. Em tempos, falei um bocadinho sobre Miyazaki e sobre o Totoró neste blogue, uma paixão que se renova a cada visionamento dos seus filmes. É um campeonato totalmente à parte, uma forma de olhar para o mundo das crianças com óculos orientais, que são muito diferentes dos nossos, e por isso de uma riqueza que urge aproveitar.

 

"Totoró", de Hayao Miyazaki 

 

Mas claro, há excepções nos países francófonos, e mesmo em Inglaterra (a Aardman, que hoje em dia também já dá cartas na animação televisiva, com a deliciosa Ovelha Choné) e nos Estados Unidos, com as abordagens mais góticas de Tim Burton e de Henry Selick, responsável por um filme que eu adoro, que mete muito medo e que não é The Nightmare Before Christmas/O Estranho Mundo de Jack: chama-se Coraline, é feito a partir de um argumento de Neil Gaiman e deu origem a protestos nas salas portuguesas em 2009, por supostamente assustar excessivamente as criancinhas, coitadinhas.

 

Coraline e a sua falsa mãe, com botões em vez de olhos 

 

Bom, como vêem, eu gosto mesmo muito de falar disto, mas este post já vai demasiado longo. Mais coisas sobre a Disney, a utilidade de assustar as crianças e a necessidade de lhes contar boas histórias dentro em breve.

publicado às 09:50




Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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