por João Miguel Tavares, em 13.12.12
Este é um dos filmes que mais quero ver neste momento, por todas as razões e mais algumas. Por ser de Michael Haneke. Por ser sobre um casal de velhos à beira da morte. Por ser sobre o amor. E porque um campo-contracampo como este, escolhido para as imagens de promoção, é absolutamente deslumbrante.
Mas há ainda mais uma razão porque eu quero muito ver este filme. Em entrevista à Time Out, o jornalista pergunta ao realizador Michael Haneke:
Este é um filme triste em muitos sentidos, mas também contém ideias reconfortantes sobre o amor. Você sugere que o amor é mais sobre as nossas acções do que sobre os nossos sentimentos, que o verdadeiro amor é, na verdade, intensamente prático.E Haneke responde:
Sim, claro. Aquilo que fazemos por outra pessoa é mais importante do que aquilo que sentimos por ela.
É uma resposta absurdamente sábia, absurdamente bela, que deveria ser proferida em todos os casamentos, e estar escrita nas paredes de todos os lares: Aquilo que fazemos por outra pessoa é mais importante do que aquilo que sentimos por ela. Contrariando todas as teses do romantismo sentimentalóide e assolapado, diria mesmo que esta é a perfeita definição de amor.