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As virtudes da incerteza

por João Miguel Tavares, em 19.06.14

Eu prometo por antecipação não me voltar a meter em combates de pediatras, mas quero chamar a atenção para um comentário da Maria, que tem estado empenhadíssima a defender González contra Estivill na caixa deste post. Eu critiquei-a por estar a ser um bocadinho agressiva na resposta a outros leitores e pedi um pouco mais de sentido de humor, já que não estávamos propriamente a falar do genocídio do Ruanda. A Maria respondeu o seguinte:

 

Compreendo o comentário, mas como sabe há assuntos que nos são demasiado importantes para conseguirmos discuti-los levianamente! É exactamente este o busílis da questão! É que nas coisas que realmente importam as crianças aparecem sempre em último na lista de prioridades e de direitos humanos (ao contrário do que o João parece pensar!)

Sim, porque não se trata de andarem na equitação, aprenderem piano e a falar 5 línguas, mas de não merecerem a atençãozinha de serem confortadas quando choram ou de comerem até estarem satisfeitas ou sofrerem [punições] físicas quando um terceiro acha que se justifica! 

Parecem ser as únicas a quem é aceitável deixar sofrer, desrespeitar e humilhar! Caramba, às vezes nem acredito que este assunto seja discutível! Se estivéssemos a falar de violência domestica ou de abuso psicológico entre cônjuges, o João nem sequer me colocaria esta questão, certo? 

P.S. Nenhum de nós tem memória dessa altura da nossa vida, mas quem sabe se para um bebé que acorda sozinho a meio da noite não é como estar num meio de um genocídio no Ruanda! Ou o João acha que tem consciência de que temos portas e paredes? 

 

Por esta altura já toda a gente conhece a minha enorme alergia a quaisquer comparações que misturam palmadas no rabo ou, no caso em apreço, uma criança a chorar na cama, via método Estivill, com violência doméstica ou abuso psicológico de cônjuges. Acho um absurdo homérico este tipo de equivalência, mas é daquelas coisas: se as pessoas não conseguem vislumbrar a diferença, também não sou eu que as vou convencer.

 

O que me interessa aqui é sublinhar um outro ponto, que eu também já referi várias vezes, mas que para mim tem uma enorme importância. Os pais actuais preocupam-se demasiado. Os pais actuais vivem excessivamente em função dos filhos. E o que o discurso da Maria supõe, independentemente de concordarmos ou não com os seus métodos, é um centramento da nossa vida nas necessidades dos nossos filhos. Nós vivemos para dar uma resposta às suas exigências.

 

É certo que a Maria faz uma observação pertinente num comentário anterior: 

 

Em relação aos meninos terem que comer tudo o que está no prato (só porque foi assim que eu aprendi e porque sou eu quem manda aqui, porque tenho imensa auto-confiança principalmente ao exercitá-la defronte a um menor de meio metro), não lhe parece que obrigá-los a comer significa aumentar exponencialmente o tempo que se orbita em volta dos pequenos?

 

É uma óptima observação, só que eu tenho dificuldade em compatibilizar esta atitude com a do "se ele chora dou colo" ou "se ele não quer dormir sozinho é porque tem medos ancestrais e há que consolá-lo".

 

Os filhos não são o nosso alfa e o nosso ómega. Eles não são (ou não devem ser) o centro do nosso mundo. E este relaxamento (que os pais têm tanta dificuldade em ter, começando por mim) que eu defendo não é laxismo - é uma procura de equilíbrio pessoal e familiar, que passe por nos manter felizes e não deixar que os filhos estabeleçam as regras do nosso agir.

 

Um sintoma desse centramento que eu critico é precisamente a forma tão séria como a Maria aborda estes assuntos, como se não tivesse a menor dúvida de como agir em relação aos seus filhos, como se estivesse na posse de todas as certezas, como se houvesse uma fórmula universal da boa educação infanto-juvenil, aplicável a todas as famílias e a todos os filhos.

 

Essa fórmula - é o meu dogmatismo - não existe, Maria. Eu tenho dúvidas diárias, acho mesmo que o que resulta para uns não resulta para outros, e suponho que seja por isso que neste blogue se fazem tantas piadas, se valoriza o sentido de humor e se gosta de discutir com as pessoas.

 

Partirmos da convicção das nossas próprias insuficiências é um bom caminho para evitar dizer coisas como "nem acredito que este assunto seja discutível!", ou achar sinceramente que a angústia de um bebé que acorda sozinho a meio da noite é comparável ao genocídio no Ruanda. Eu posso provar que não é? Não posso. Mas terrores nocturnos todos nós tivemos. E genocídios, felizmente, não acontecem todos os dias.

 

O excesso de relativismo é bastante perigoso. Mas o excesso de dogmatismo ainda é mais.

 

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publicado às 10:15


55 comentários

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De Maria a 20.06.2014 às 09:06


Hoje mostrei o post e respectivos comentários a uma grande amiga alemã e ela ficou chocada com as opiniões que considerou extremamente antiquadas, e que tantos aqui parecem apreciar.Ela conhece bem os regimes absolutistas que as difundiram... E perguntou: "mas as pessoas aqui ainda pensam assim?"
( já estou a ver os "sem argumentos" a pegarem na reacção da alemã!)
Quando resolvi escrever vim preparada para uma missão suicida, bem sei.
Falei sem a máscara do politicamente correcto, também o sei.

Vou-me despedir do seu Blog terminando com 2 coisas que me parecem importantes e em jeito de despedida "foleira" de quem aprecia tipos bonzinhos que escrevem livros com nome de Bolero ( que defendem as crianças e os pais com unhas e dentes, em vez de lhes dizerem que têm de "ensinar" bebés a dormir senão não estão a ser pais auto-confiantes)

O João não se apercebe do principal:
é que tipos como o Gonzalez contribuem muito mais para a sua causa do que imagina.
Quando ele sugere que os pais podem dormir com os filhos é igualmente para facilitar a vida aos pais! Ou acha que uma mãe que tem de se levantar 6 vezes por noite para ir a outra divisão vai estar in the mood para as actividades nocturnas do casal. Além disso, como deve saber, quando realmente se quer tudo se consegue e isto a qualquer hora e em qualquer local!
Claro que podemos optar por "ensinar" um bebé assim meio à bruta a ficar sozinho, mas como para os mais "sensiveizinhos" isso não é opção, parece-me importante que alguém nos venha dizer que dormir com os nossos filhos é algo de natural, normal e até mesmo aconselhável!
E porque é que o colo contribui mais para um "centramento da nossa vida nas necessidades dos nossos filhos"? Será mais rápido acalma-los ao pé coxinho e com uma mão atada atrás das costas?
Andar atrás deles à palmada em vez de ter um bom relacionamento baseado no respeito mutuo, tão pouco me parece ocupar menos tempo!
Mas não, não tenho uma fórmula mágica, tenho é graças aos Gonzalez um leque de possibilidades que se perderam graças a tipos que nos dizem que têm de comer a papa toda senão estão a ser malcriados e insolentes.

E acha mesmo que são eles (os filhos) que estabelecem as regras do nosso agir?
Eles seguem as nossas regras constantemente e, na maior parte do tempo, nem se queixam!
Talvez a felicidade de que fala resida no reconhecimento deste facto, João.
Existem formas de agir que se tornam dados adquiridos e que quando paramos para pensar não fazem assim tanto sentido...

O que ocupa a maior parte do nosso tempo não são os pequenos, que terá de admitir, na maior parte dos casos, até nos têm muito pouco para si...Em 24 horas quem tira mais proveito de nós é o nosso empregador,negócio, as nossas tarefas domesticas e burocracias do dia a dia! Não são os nossos filhos! Claro que no fim de contas tudo isso reverte a seu favor etcetera e tal... Mas eles não sabem disso e nós também nos deveríamos questionar sobre tal.

Não sei quanto a si, mas honestamente, alguma coisa neste mundo a a ser o meu "alfa e ómega" serão os que amo e a única coisa que não me relaxa é ter pouco tempo para me divertir com eles.
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De ... a 20.06.2014 às 10:14

Maria, o problema não é a base da sua opinião, é ler e extrapolar coisas erradas:

"E porque é que o colo contribui mais para um "centramento da nossa vida nas necessidades dos nossos filhos"? Será mais rápido acalma-los ao pé coxinho e com uma mão atada atrás das costas?
Andar atrás deles à palmada em vez de ter um bom relacionamento baseado no respeito mutuo, tão pouco me parece ocupar menos tempo!"

É de extremos, como se depois de dar muito colo só existisse a opção atar mao atrás das costas, ou como se depois do ser alguém que consegue manter-se sempre com ar calmo e letárgico perante os filhos existissem apenas os que "andam a correr atrás deles à palmada". Que exagero. Eu não concordo consigo, com a sua super certeza de tudo (até porque caraças, se é para nos basearmos em factos há tanta gente boa e confiante e sem mazelas do passado cujos pais não agiram como a Maria...essas pessoas existem caramba!!), e não é por isso que faço o contrário que a Maria defende. Dou colo intensamente (uma radiografia à coluna rematava isto), fico até adormecerem porque "há monstros", deixo virem para a minha cama se ali ficarem melhor, não insisto para comerem se sinto que não está a fazer sentido, vivo para eles!! e são o meu centro. Já dei uma palmada? Já, sem qualquer remorso, a tentar ir para a creche, com o mais novo ao colo e cheia de malas e carregada quando a mais velha começou birra das que nao controlamos, e ao fim de 3 minutos na berma da estrada com um bebe ao colo e outro a atirar-se para o chao aos gritos, de ter tentado convence-la, mima-la, foi a palmada que resolveu a situação. Foi a melhor solução para a minha situação. Decerto havia coisas mais fantásticas só ao nível de mães como a Maria, bem como com outra criança uma reprimenda verbal ou um carinho teriam sido suficientes, mas eu faço o melhor que consigo e aquilo foi o meu melhor e o que funcionou depois do que eu julgava melhor. E não se canse a ter pena dos meus filhos. (poupem-me ao contra-argumento de "e se for um tiro na testa de um amigo seu numa discussao que resolver, também o faz?", porque o que para mim significa uma palmada nao é comparavel, alem de na discussao com o amigo eu posso ir-me embora e ali nao convinha deixar um bebe na berma da estrada sozinho). Eu se mostrar estes comentários a uma grande amiga minha portuguesa, a minha mãe, ela também achará que a Maria está a exagerar e concordará com algumas das coisas que chocaram a sua grande amiga alemã. E porque até ver a opinião de cada uma das nossas grandes amigas vale similar, não são argumento de nada.

Maria, não é o que diz que não faz sentido, até porque volto a dizer que concordo com a base do que diz. É sim a forma errónea como transforma as opiniões dos outros. Porque até eu, que sigo muitas das coisas que defendeu, não estou de acordo com a sua abordagem, como se "só existe azul e amarelo e nem é discutivel que o azul é o mais bonito". Muito menos de acordo estou com os "tenho pena do seu filho" e os "a carapuça serviu". A minha educação e sobretudo a tolerância desenvolvida porque eu erro e errarei enquanto existir, fez de mim uma adulta que jamais partiria para cima dos outros como a Maria fez.
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De Maria a 20.06.2014 às 10:24

Concordo com tudo o que disse. Mas a verdade é que apareceu um novo post e as pessoas pensaram sobre o assunto. Jamais me daria prazer fazer as coisas desta forma, mas por vezes é necessário passar pelo outro extremo, quanto mais não seja para as pessoas se questionarem.
Nunca sei,ao contrário do que parece pensar, se estou certa ou não, mas como em tudo o resto: fiz algumas coisas bem e outras mal e foi o melhor que consegui.
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De Helena Araujo a 20.06.2014 às 10:19

Só queria fazer um comentário sobre esse "alfa e omega". Os filhos näo säo o centro da nossa vida, säo o centro da vida deles, e precisam da nossa ajuda para o encontrar. A esse respeito, ler o poema de Khalil Gibran sobre os filhos - penso que todos o conhecem.
Näo säo nossos, foram-nos confiados e estäo inteiramente dependentes de nós - e essa é uma enorme responsabilidade.
Lembro-me muitas vezes de uma pergunta numa coluna de ética de um jornal (alemäo, claro...). Um pai ia buscar o filho à escola, e trazia também o filho do vizinho. Para o seu próprio filho comprou uma cadeirinha caríssima, o XXL dos cuidados de seguranca, mas para o filho do vizinho comprou uma cadeirinha barata. O pai perguntava: "será que devia sentar o meu filho na cadeira barata, e o do vizinho na cadeira mais segura, já que ele está sob a minha responsabilidade?"
O filósofo que assina a coluna respondeu que pela seguranca do filho do vizinho deve responder o pai do miúdo. A ideia de dar ao próprio filho uma cadeira menos segura é absurda, porque o seu próprio filho näo tem mais ninguém que zele pelos seus interesses, nomeadamente pela sua seguranca.

"Näo tem mais ninguém que cuide dele". Um bebé chora a meio da noite, sabe-se lá por que motivo - e só pode contar com o pai e com a mäe. O que é que estes fazem? Sabem merecer essa responsabilidade?
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De anonimo a 20.06.2014 às 10:34

Os meus filhos são o centro da minha vida neste momento, independentemente do que outros escrevam. Podem também ser o centro da vida deles, claro, uma coisa não impede a outra. Mas são dois bebés ainda, sobre os quais tenho total responsabilidade, que dependem de mim, a quem dou o meu melhor, por quem passo a noite acordada, por quem passo horas na cozinha, por quem passo horas a tratar da roupa, a ler livros, a brincar, a saltar no parque, a mudar fraldas, a dar comida na boca. São o centro da minha vida ainda e isso é o normal. Aquilo que outros filosofam sobre qual o nome piriri para dar a isto, não creio que seja essencial. Acho um bocadinho, não sei bem como apelidar, estes exemplos de "eu sinto isto"; "ah, mas isso que você sente nao se chama isto, chama-se rytgh". Mas caramba, o que a senhora sente é o mesmo independentemente do nome pomposo que inventaram para a coisa, portanto como pode ser importante? Começa a parecer é preciso ter um PhD para ser pai, e dominar a literatura. Alguem ter escrito algo nao torna esse algo o correto.
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De Maria a 20.06.2014 às 10:35

Mais uma vez, concordo plenamente com tudo o que disse. Se por utilizar essa expressão ( para responder ao autor do blog) fiz transparecer outra mensagem foi por" falta de jeito".
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De Maria Isabel Prata a 19.06.2014 às 13:17

Quando tinha 5 anos fui passar uma semana de férias em casa de uma madrinha na praia, a minha madrinha e as irmãs eram solteiras e só havia mais uma criança, um rapaz também com 5 anos que seria primo delas. Era uma casa muito grande, eu dormia (ou não) num quarto grande e tinha medo de dormir às escuras. Uma irmã da minha madrinha não só insistia em que eu devia dormir com a luz apagada como ainda me comparava com o rapazito que dormia muito bem às escuras. Nunca tive tantos mimos e presentes (bonecas, brinquedos de praia ), idas ao cinema etc como nessa semana. Mas o que mais recordo, e já lá vão mais de 40 anos, são as noites de verdadeiro terror. Isto para os que acham que tudo passa.
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De Bruxa Mimi a 19.06.2014 às 13:28

Claro que nem tudo passa, mas 5 anos não é o mesmo que meses ou 2 anos (e este comentário não é para ser interpretado para além do que é dito, que é apenas factual).
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De Helena Araujo a 20.06.2014 às 09:57

Bruxa Mimi, näo percebi: acha que aos 5 anos se é mais frágil que aos 2 meses ou 2 anos? Ou acha que os traumas näo estäo lá, apenas porque as criancas näo tem maneira de os lembrar e verbalizar?
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De Joana Mendonca a 19.06.2014 às 12:53

Curiosamente estava a ler este post e a pensar que a forma como escreve faz-me sempre parecer que tem muitas certezas, mas esta minha sensação é depois negada por si no fim, dizendo que tem muitas duvidas. Eu sempre senti que tinha que encontrar um pediatra que se enquadrava com aquilo que eu quero ser como mãe. Gosto de ler livros, independentemente de neles serem defendidas opiniões diferentes da minha. Isso faz-me pensar, põe-me em causa e isso é difícil, mas bom. Daí que continue a ler o que escreve, embora as suas opções e opiniões como pai sejam diferentes das minhas. E por isso me surpreende muitas vezes a sua, e de alguns outros comentadores, certeza quanto aquilo que é a melhor abordagem à educação. Eu tenho a minha, serve-me a mim. É bom partilhar, porque essa partilha faz-nos pensar, pôr em causa, muitas vezes mudar de ideias, ou encontrar soluções em que não tinhamos pensado, ou perceber que aquilo que é difícil para nós é difícil também para outro pais e que não somos totalmente anormais. Nunca encontrei um livro de um pediatra em que concorde com tudo. Gosto de umas coisas, acho outras aberrantes, etc. A coisa boa é que mesmo saber com o que não se concorda e o que não se quer fazer é util. Quanto ao bom senso... ando para escrever sobre isso, porque o bom senso muito defendido tem significados diferentes para diferentes pessoas, penso eu. Já me alonguei, peço desculpa.
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De Joana a 19.06.2014 às 12:09


Cada criança é um mundo, isto de generalizar como se houvesse uma receita universal só serve para vender livros.

Tenho 2 filhas, o que resultou numa não resultou noutra e as minhas convicções quando fui mãe a primeira vez mudaram em certos assuntos quando fui a segunda e se voltar a ser mudarão novamente.

Misturam-se assuntos com muita leviandade, como se fosse comparável deixar-se um bebé recém nascido a chorar horas "porque ele tem é manha", a deixar uma criança de 3 anos a chorar de castigo porque não tem o brinquedo que queria ou porque não a deixamos comer chocolate antes da sopa.

Gosto de acreditar que os pais fazem o melhor que sabem, mas preferia que as pessoas perdessem mais tempo a ouvir os filhos do que a fazer o que o pediatra da moda manda
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De Sandra a 20.06.2014 às 10:28

Gostei deste comentário simples e sucinto. Deixem cair por terra muitas ideias pré definidas e teorias assim que tive o meu primeiro filho....
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De Susana V. a 19.06.2014 às 11:52

Adoro estas discussões filosóficas! Queria apenas voltar a salientar que uma coisa são bebés, outra são crianças. Eu acho que a vida dos pais se deve centrar em torno dos bebés, não só porque é melhor para eles mas também porque é mais fácil para a família no seu todo. É um estádio que dura 2-3 anos. Com quatro filhos são cerca de 10 anos. Não é muito, tendo em conta que a esperança média de vida é de cerca de 80 anos! :-)

Ensinar um bebé de um mês a esperar 3 horas para mamar é uma tortura para todos os envolvidos (excepto para os que gostam da berraria).
Ensinar um bebé de dois anos a ter modos à mesa e esperar que aguente sentado numa cadeira de restaurante durante uma hora é uma tortura para todos os envolvidos (excepto para os bebés muito calmos, que existem).

Mas é claro que não é como se uma palmada ou deixar a criança chorar uma noite fosse traumatizá-la para a vida. Há que relativizar...

E também é claro que consoante as crianças crescem tem de ser encontrado um equilíbrio entre as necessidades dos pais e dos filhos. Mas querer forçar esse equilíbrio a partir da nascença, é a meu ver, totalmente disparatado.
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De Bruxa Mimi a 19.06.2014 às 12:29

Não sou especialista em amamentação, mas alguns que o são (refiro-me aos voluntários do SOS Amamentação, especificamente) nunca dizem para fazer o bebé esperar três horas para lhe dar de mamar, tal como não dizem para dar obrigatoriamente de mamar ao fim de três horas, se o bebé não pedir. Dizem (ou disseram-me, que já lá vão uns anos e pode ter havido alterações que desconheço) que há um número de vezes que o bebé deve mamar durante o dia (que pode variar devido a algumas circunstâncias) - como referência, umas sete ou oito (sendo que não defendem que nove vezes seja proibido!). Por isso, um intervalo de hora e meia pode conjugar-se com um intervalo de quatro ou cinco horas, que não vem nenhum mal ao mundo por causa disso (exceção para as tais circunstâncias especiais).
Ah, e também há outro lado da questão: é que muitas vezes o bebé não tem fome, mas como chora, toda a gente dá palpites acerca da fome que ele tem, e que devia mamar, e que se mamou há pouco tempo, é porque o leite da mãe não presta, etc e tal. Uma tortura psicológica - para as mães!
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De Susana V. a 19.06.2014 às 15:07

Sim, os especialistas em amamentação defendem dar de mamar a pedido (pelo menos daquilo que li ou conheço). Mas não conheço muitas pessoas que contactem especialistas de amamentação em Portugal. Não está muito divulgado. As mães tendem a confiar (cegamente) nos conselhos dos pediatras. E alguns pediatras...
Uma pediatra perguntou-me na primeira consulta da minha recém-nascida de quantas em quantas horas eu dava de mamar. Eu respondi que dava quando ela pedia, ao que ela respondeu com um enfático: "Isso era o que faltava! " Eu, que nunca tive quaisquer dúvidas sobre a amamentação (ao contrário de muitos outros assuntos) respondi: "Isso compete-me a mim decidir, não a si." Não mudei de pediatra. Confiava nela para saber sobre os estado de saúde da minha bebé. Mas cada macaco no seu galho...
:-)
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De Ana Maria a 19.06.2014 às 16:22

(eu sei que não é o tema central do post, mas cá vai)
Eu sempre amamentei a pedido. Antes de ter a minha filha (a primeira), li o que considero suficiente para ter uma opinião informada. Assim, em vez de estar a amamentar em intervalos fixos, amamentava quando ela pedia. No início esses intervalos eram curtíssimos :S, depois passaram a ser maiores, até que ela própria estabeleceu uma espécie de "rotina" no que dizia respeito à amamentação. Funcionou para ela, funcionou para a irmã (no caso da segunda, desde o início que fez intervalos de cerca de duas horas... tinha de a acordar para dar de mamar).

Quanto aos pediatras...
A pedriatra das minhas filhas foi escolhida duas semanas depois da primeira nascer. Não pesquisei, não me informei, apenas liguei a uma amiga e perguntei se tinha nomes/contactos para sugerir. Tentei o primeiro número, não tinham vaga, tentei o segundo, marquei a consulta. Até hoje, não me arrependo.


Uma coisa que gosto na pediatra das minhas filhas é que não faz dramas. Se ao princípio este desdramatizar me afligia - caramba, as minhas dúvidas e questões mereciam mais respeito!! - ao longo das consultas foi-me dando a tranquilidade que preciso. Constipações são constipações, "é normal, vai ter muitas durante o ano"; atrasos no desenvolvimento (aquelas coisas que vêm nos relatórios dos infantários, sabem?) ao nível das interações, "é dar-lhe tempo". Não a acho relaxada nem negligente, mas acho que tenho ali uma pessoa capaz de me tranquilizar nestas coisas da maternidade. Naquilo que lhe parece sério - recordo-me uma vez que descobriu uma mancha, tipo queimadura, no braço da miúda e fez-me uns olhos de "o que é isto???", ao que respondi que era mancha de nascença e tudo ficou ok - tem o cuidado que deve ter.

Outra coisa que gosto nela? Nunca perguntou se a pequena dormia connosco, se dormia na cama dela, se dormia no quarto dela, se lhe dávamos demasiado colo, se a deixávamos chorar até adormecer. Perguntou, sim, sobre se eu pretendia amamentar, e como lhe disse que sim falámos sobre isso deu-me indicações médicas de como o fazer, de como tratar desse assunto (algumas indicações não segui à risca).

E o que gosto mais? A frase que ela me repete sempre que eu tenho questões "cabeludas": "vocês é que conhecem a vossa filha. Vocês é que sabem o que é melhor para ela, o que resulta. O chamado bom-senso."
E isto basta-me.
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De Bruxa Mimi a 19.06.2014 às 16:37

Susana: também acho que não é muito divulgado, mas eu tirei os contactos de uma folha que estava afixada no quarto da maternidade, quando a minha filha mais velha nasceu, e que tinha o título: "contactos úteis". E foi mesmo útil! :-)

Ana Maria: Gostei da sua pediatra! :-)
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De Conceição M. a 19.06.2014 às 17:31

Ora aqui está!
Tenho acompanhado a "saga" dos pediatras e também me quer parecer (com o devido respeito pelo Dr. Mário Cordeiro, que vem, ao que parece, "espreitar" o blogue :) ) que ocupam um espaço muito alargado.
A primeira pediatra do meu filho foi a pediatra que dava consultas no centro de preparação para o parto que frequentei. Como tinham serviço de enfermagem e consultórios médicos, informei-me, não ouvi nada de mau, pelo contrário, marquei a 1ª consulta com ela e adorei-a. Super querida com os bébés, um doce, sempre disponível, muito atenta... quando lhe disse que estava a pensar deixar o meu filho com os avós em vez de o colocar logo num infantário ela apoiou essa decisão. Entretanto ela passou a ter regime de exclusividade no hospital e deixou de exercer clínica privada e eu perguntei-lhe se me recomendava algum colega - ela respondeu que eticamente não poderia fazer isso. Então eu perguntei-lhe se a filha dela tivesse um problema grave, qual o colega a quem recorria e ela, a rir-se, lá me deu o nome de alguns colegas.
O pediatra a quem fui a seguir não tem nada ver com ela, em termos de postura - é uma pessoa mais sisuda, não tem muitos cutci-cutchi com as crianças, não é de abraços e beijinhos com os meninos, mas é um ótimo profissional, daqueles que nos dá segurança se o n/ filho tiver um problema de saúde sério e nunca tive razões de queixa dele. Quanto ao facto de, então, a minha filha ficar com os avós em vez de estar num infantário, ele achava que os meninos tinham de ir para o infantário porque os avós só os "estragavam" - ele deu-me a opinião dele, eu ouvi-a e fiz o que entendi melhor (que não foi pô-la no infantário de imediato). Claro que se a questão fosse a criança estar doente e ter de tomar o medicamento x ou Y, quanto a isso não havia discussões ou opiniões da minha parte!
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De Marta a 22.06.2014 às 09:22

Por acaso não me quer dar o nome da sua pediatra? Se puder envie para martasgameiro@hotmail.com
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De anónimo a 19.06.2014 às 11:16

Será que isto não se está já a tornar um bocadinho como discutir política, religião ou mesmo futebol?
Umas pessoas sentem que têm certezas e, como tal, nem percebem porque raio há de alguém ver as coisas de outra maneira. Outras pessoas gostam de (ou, pronto, sentem que não têm outro remédio senão) questionar-se, ler, ouvir, verbalizar as suas dúvidas e as suas ideias, repensar, etc.
Entre as que têm certezas, claro, há as que têm certezas opostas. Mas o facto de terem certezas tão inabaláveis opõe todas estas às outras, que cultivam a dúvida.
Se calhar a solução equilibrada é cada um fazer lá em casa as coisas à sua maneira. É que, como tendência distintiva daquilo que vivemos hoje, ainda mais do que os pais preocuparem-se demasiado ou viverem excessivamente em função dos filhos, existe um dado que me parece preocupante: as pessoas cada vez mais interferem (ou tentam interferir) na vida umas das outras quanto à forma de decidir coisas privadas. Para quem cresceu numa aldeia e quis fugir disso a sete pés mal atingiu a idade adulta, esta tendência - agora praticada através de outros meios, claro - pode tornar-se extraordinariamente perigosa.
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De JP a 19.06.2014 às 14:40

Concordo! Tanto! :)
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De Poupar com webshopcenter a 19.06.2014 às 11:09

A conversa vai sempre dar ao mesmo..nem tanto ao mar nem tanto a terra.

Primeiro ninguem mas mesmo ninguem tem o direito de opinar, julgar criticar a educação que outra pessoa da ao filho! (de novo nao estamos a falar de maus tratos ok?)

A dica do "tenho pena do seu filho" da outra senhora é simplesmente triste para nao dizer pior.

Segundo, quando se falam do deixar um bebe chorar..por favor..nao estamos a falar de um bebe a chorar horas seguidas agonizante! a minha filha sempre dormiu sozinha (no berço) e passou para o seu quarto por volta dos 6 meses. É raro acordar a meio da noite..chama pela mae..a mae levanta..da a chucha..tapa..da um mimo e ela aconchega e dorme! (tem 2 anos e meio)

mas ja aconteceu noites que ela chora chora agarra-se ao meu braço suplica pela mae e eu pego nega e levo-a comigo.. porque sei que naquela noite ela precisa um pouco mais do que o mimo da cama..porque acho justificavel..ou porque ta doente ou seja o que for!

haja BOM SENSO!

o que me irrita é dizer que a criança NAO PODE CHORAR coitadinha! tem que lhe fazer as vontadinhas todas! nao pode haver a palavra NAO no seu vucabulario! depois queixam-se que que sao irritantes, embirrentas, que fazem cenas..que nao fazem nada sozinhas e bla bla bla!

depois perguntam-me "mas a tua filha dorme sozinha? a noite toda? o meu acorda de 3 em 3 horas e tem 7 anos!"; " ela come sozinha?ahh o meu tem que ser esmigalhado e dado quase a força..."; "ohh ela está tao sossegada a brincar..o meu ja andava aqui a destruir tudo..."

Todas as nossas acções tem um impacto sobre os nossos filhos, bom ou mau. E as inseguranças de paparicar o filho a 1000% do "ai nao me toques" transmite insegurança para eles sim.

bla bla bla instintos da caverna...yeah right nesse tempo se a criança era de alguma forma fraca tambem era abandonada aos "lobos" também "casavam" com 10 anos, também morriam 9 em cada 10... etc etc etc

graças a deus que não estamos no tempo das cavernas!

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De Bruxa Mimi a 19.06.2014 às 11:45

Talvez não me expressasse exatamente da mesma forma, mas, na essência, concordo com o que escreveu. A diferença está apenas em que nunca levei nenhum filho (tenho três) para a minha cama, não por uma ideia absoluta de "Que horror! Não se deve!", mas porque nunca me pareceu a melhor solução.

Lembro-me de, há uns tempos, nas férias ou num sábado de manhã, perguntar aos meus filhos se queriam subir para a nossa cama e ficar lá um bocado na ronha/brincadeira e obter um redondo "não" como resposta. Não estava à espera, mas depois até percebi a razão: eles têm como dado adquirido que a cama dos pais é para os pais (sem nunca lhes ter sido dito isso, a verdade é que, como nunca os levámos para lá, eles não sentem aquele espaço como deles ou como "espaço comum").
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De Poupar com webshopcenter a 19.06.2014 às 12:02

Eloquência não é o meu forte, apenas tentei exprimir uma opinião. :)

Mas concordo consigo, cama dos pais é para os pais. Mesmo...também porque acho importante a intimidade enquanto casal é tão importante na vida familiar…

Já ouvi historias do “ah não sei o que aconteceu o meu marido saiu de casa…depois ouvir um ah..a minha filha dorme comigo desde que nasceu o pai quando sente-se apertado e vai pra sala ( tinha 7 anos na altura..) e depois ainda se admiram? Really?

A situação de ela la ir é mesmo um caso excepcional e muito raro de acontecer, para também mostrar que nem tudo é verdades absolutas nem regras intransponíveis ;)
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De Bruxa Mimi a 19.06.2014 às 12:16

Não achei que lhe faltasse eloquência, apenas salientei que não usaria as mesmas palavras, não usaria melhores, nem piores (dependendo dos dias, talvez), apenas diferentes. :-)
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De Maria a 20.06.2014 às 10:08

Por acaso não é o que está aqui a fazer? A opinar e criticar sobre a educação "que os outros dão"??

- " o que me irrita é dizer que a criança NAO PODE CHORAR coitadinha! tem que lhe fazer as vontadinhas todas! nao pode haver a palavra NAO no seu vucabulario! depois queixam-se que que sao irritantes, embirrentas, que fazem cenas..que nao fazem nada sozinhas e bla bla bla!"

-"Todas as nossas acções tem um impacto sobre os nossos filhos, bom ou mau. E as inseguranças de paparicar o filho a 1000% do "ai nao me toques" transmite insegurança para eles sim."

-" depois perguntam-me "mas a tua filha dorme sozinha? a noite toda? o meu acorda de 3 em 3 horas e tem 7 anos!"; " ela come sozinha?ahh o meu tem que ser esmigalhado e dado quase a força..."; "ohh ela está tao sossegada a brincar..o meu ja andava aqui a destruir tudo.""



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De Poupar com webshopcenter a 20.06.2014 às 10:17

Não cara Maria,

eu não estou a dizer façam assim...façam assado.. és ma mãe porque fizeste isto ou aquilo... credo tenho pena do seu filhos.. bla bla bla..

não, apenas disse que todas as acções tem consequências.. tanto pra bem como pra mal,

e dei um exemplo dum caso concreto que aconteceu comigo…

eu não sou ninguém pra dizer “ai se o seu filho não dorme a noite toda é por isto ou aquilo…” “credo não come sozinho? Por amor de deus!” ate posso pensar, mas não o digo por respeito e por achar que cada um sabe de si. Alias a conversa começou por começarem a perguntarem-me a MIM o que eu fazia e eu apenas relatei a minha experiencia!

Niguem me garante que num segundo filho (se houver) nada do que fiz resulte nele também…

É as tais incertezas, cada criança é diferente e temos que nos adaptar.
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De ... a 19.06.2014 às 10:38

Gosto mesmo de o ler João. Eu sou pessoa com poucas certezas e convicções que podem em mudar em escassos minutos. Não consigo afirmar nada com a certeza da Maria, nem sequer com a do João, mas gosto muito de o ler e de ler estes debates, ambos fazem-me pensar e arrumar ideias e mudar outras. E sinto muito isso, de que há uma absurda dramatização e pressão sobre algo que para tantos bons pais que criaram tão bons filhos foi natural. Sem certeza sobre isso, mas tenho uma espécie de obsessão de que há muita coisa intrínseca a cada indivíduo, e que a percentagem de influência de tal sobre inclusive coisas como serem pessoas confiantes no futuro pode ser considerável (há sempre justificação para irmãos criados juntos serem tão díspares nas tais coisas essenciais da personalidade que aqui se falam, que nunca se poderão comprovar, nem no seu oposto) Dizia o outro...."a sina de quem nasce fraco ou forte". Mas interessa-me muito naquilo que eu posso influenciar, fazê-lo bem.
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De Sofia Lopes a 19.06.2014 às 10:35

:)
Bom, e se as pessoas não conseguem vislumbrar a semelhança entre a violência sobre uma criança ou sobre um adulto, também não sou eu que as vou convencer :)

Quanto ao resto, acho que são precisamente aqueles pais que acreditam que o filho dever dormir sozinho na cama (e no quarto!) a partir dos 3 meses, deve levar uma palmada ao 1º vislumbre de birra, deve comer a sopa toda que está no prato e não pode mamar 10 minutos antes de terem passado 3 horas desde a última mamada, acho que são esses pais, dizia, que se preocupam demasiado não com os filhos mas consigo próprios! Porque não concebem um deslize à sua rotina instalada há não sei quantos anos, não concebem o chão da sala cheio de comida, não concebem um serão sem ser descansado no sofá a ver tv. Pois sabem uma coisa? Ter filhos é isso mesmo! Faz parte da "cena" ;) Deixamos de ser só nós para sermos nós e outra pessoa. Que by the way depende de nós, e só por via dessa dependência é que a raça humana sobrevive. A humana e todas as outras, já agora. Darwin explicaria melhor concerteza, eu não sou cientista, apenas uma mãe descontraída ;)
Os filhos não são o centro do nosso mundo - aceito (embora não sinta ainda dessa forma), mas penso que quando temos filhos temos que deixar de ser nós próprios o centro do nosso mundo... sei lá, passa a haver 2 centros! :D
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De Anónimo a 19.06.2014 às 15:47

Concordo tanto!!!
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De Maria a 20.06.2014 às 01:02

Concordo! No meu caso, lembro-me do pavor do escuro, das horas à frente da comida, do "respeito" que escondia o puro medo da minha mãe. O medo de falhar, se não ser amada por isso e do comportamento exemplar à frente que encobria as asneiras escondidas...o não desabafar, o esconder do que sentia porque seria logo desvalorizado.

E todas essas lembranças emergiram ao ser mãe. E fizeram-me reflectir e desviar-me das opções que ela tomou e que também eu estava a tomar.

Acredito que ela tenha feito o melhor que conseguia, mas raramente me fez sentir o centro da vida dela. A vida dela estava centrada nela e nos seus problemas, as suas ocupações. Nós éramos acessórios. A sua presença surgia quando a casa já pegava fogo. E era tarde demais.

A consequência disso foram anos de desequilíbrio, inseguranças, sentimentos que tenho conseguido ultrapassar com a ajuda da minha fé.

Sei que vou falhar, não serei perfeita, mas quero ter um ponto de equilíbrio que permita não me sentir exausta mas também que os meus filhos se sintam amados, acompanhados e compreendidos.
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De Teresa Alexandre a 23.06.2014 às 13:14

Pois eu acho - e é só a minha opiniao - que está a confundir uma série de coisas.
Devo dizer que nao concordo consigo em quase nada do que diz e sobretudo nao acho muito agradável o tom agressivo que usa nos seus comentários, mas enfim.
No entanto, nota-se neste comentário que se esforca por ser uma boa mae e isso é muito louvável. Agora isso de achar que só a Maria é que sabe as verdades absolutas...
Eu sou uma mae muito "má", no sentido de que faco tudo o que a Maria abomina. Mas, mesmo quando estou muito zangada com a minha filha de quatro anos e ela me diz que já nao é minha amiga (para ela é o pior insulto que conhece, aprendeu no infantário), eu respondo que nao faz mal, porque eu também nao sou amiga dela, sou a mae. E nunca me esqueco de lhe dizer que gosto muito dela e que nada do que ela faca irá mudar isso.
Parece-me que o problema que "sofreu" com a sua mae foi parecido com o que eu sofri com o meu pai: medo e muitas exigências de um comportamento exemplar, e sempre uma sensacao de que se eu nao interpretasse o papel que me foi dado, nao seria amada.
Para mim, o mais importante é transmitir à minha filha que ela é amada incondicionalmente. Mas isso nao significa que nao haja regras a respeitar. Eu também respeito as regras de trânsito quando conduzo o meu automóvel....

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