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Vai para a cama, sff

por João Miguel Tavares, em 30.01.13
Há uns dias encontrámos um colega da Teresa que ainda tem mais filhos do que nós, e ficámos a reflectir em conjunto sobre qual a conjugação de idades em que a nossa vida ficou mesmo um lodo. Cá em casa, por exemplo, foi quando o Gui era recém-nascido, o Tomás tinha dois anos e a Carolina quatro. Nenhum deles era verdadeiramente autónomo, portanto era uma loucura de fraldas, de roupas, de acordar à noite, e de sei lá mais o quê. Hoje em dia, apesar de serem quatro, é bastante mais fácil do que em 2010, o ano do contacto com o além (ou quase).

Mas depois a conversa continuou para a questão que mais me interessa neste momento, e não, não é acerca da existência de Deus: é como manter a sanidade mental e encontrar tempo para mim, me time, eu sozinho, sem ninguém a chatear, tempo para recarregar as baterias interiores. E aí o colega da Teresa foi taxativo: "Lá em casa está tudo na cama às nove da noite. Os mais novos a dormir, e os mais velhos a ler."

E esta foi a minha reacção interior: "SIM! SIM! SIM! É ISSO QUE EU QUERO PARA MIM!"

É isso que eu quero para mim, que eu tento há anos e anos, e que não consigo. Eu bem tento convencer a Teresa da importância disso, lanço-me aos seus pés, rogo-lhe para ela ter piedade, mas há sempre mais uma coisa, e mais uma, e mais uma, um TPC por fazer, uma música para tocar, um capítulo de Os Cinco para contar, e de cada vez que um puto adormece antes das dez e meia da noite eu lanço um foguete na direcção do lustre da sala só para comemorar.

O problema é este: a Teresa parece que nunca se cansa de ser mãe. Não sei se é uma coisa das gajas. Mas eu, aí pelas 21 horas, já estou cansadíssimo de ser pai. A minha paternidade está esgotada, precisa de ir dormir, e sobretudo o eu-João-Miguel-que-não-sou-só-pai precisa de acordar, viver três ou quatro horas, ver as vistas, ler uns livros, até o corpo desabar em cima de um colchão. Preciso tanto disto. E então se fosse antes de eles irem para a faculdade, seria estupendo.

  Da série World's Best Father, por Dave Engledow

publicado às 10:57


1 comentário

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De Anónimo a 31.01.2013 às 10:56

Bom dia.
É a primeira vez que comento,apesar de todos os dias vos visitar.
Também sou mãe, de um menino de três anos.
E escrevo porque discordo do pai (:-)).
Na minha opinião, nós passamos tão pouco tempo com os nossos filhos que, se o "obrigar" a deitar às 21 horas, por exemplo, fazendo as contas, durante um dia, passo +- 4 horas com ele (uma de manhã e três à tarde/noite). É tão pouco... e eu quero aproveitar o meu filho mais um bocadinho... se virmos bem, nessas três horas depois da escola, entre tomar banho, jantar, lavar os dentes, que tempo sobra para "usufruirmos" um do outro?
Portanto, estou completamente de acordo com a mãe aí de casa... e deixo-o ficar até um bocadinho mais tarde, embora compreenda a sua necessidade de dormir e o incentive a isso, mas sem o obrigar...
Pronto, são opiniões, cada um tem a sua e aqui fica a minha.
Muitas felicidades para todos aí em casa.

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