por João Miguel Tavares, em 20.05.13
José Carlos Fernandes
Eis o meu texto de ontem na revista do CM:
O meu pediatra tem uma resposta darwiniana para a pergunta “porque é que os bebés choram tanto?”. Segundo ele, os bebés actuais são descendentes da linhagem que mais gritava nos tempos das cavernas: numa era em que a EDP ainda não tinha iniciado a sua actividade de exploração eléctrica e as comunidades humanas eram atacadas por tudo o que mexia, obrigando a fugas velozes, os bebés que se safavam eram aqueles que melhor se conseguiam fazer ouvir. Esta técnica teve a grande vantagem passada de ajudar à sobrevivência da espécie humana e a grande desvantagem presente de eles virem munidos das cordas vocais mais estridentes do planeta, mesmo numa época em que já existem interruptores e os bichos perigosos estão a dormitar no zoo.
O problema principal reside na incompatibilidade estrutural entre os meus tímpanos quinta geração e as cordas vocais primeira geração dos bebés. Enquanto eu tenho um pavilhão auricular século XXI, frequentado por toda uma bonita história melódica da música ocidental pós-Bach, a Ritinha tem uma garganta de há 300 mil anos, emissora de sons neanderthais. Na verdade, eu desconheço a existência de estudos que confirmem a teoria do meu pediatra, mas de uma coisa estou certo: nós, pais, estamos programados para reagir pavlovianamente ao choro dos bebés, porque não há nada que nos dê mais cabo da moleirinha do que um miúdo de meia-dúzia de meses aos berros. Quando a Rita chora muito, é como se o interior do meu ouvido fosse vítima de um terramoto de 8,5 na escala de Richter – só me apetece fugir dali e gritar por ajuda.O resto do texto pode ser encontrado
aqui.