Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]





Agarrem-me senão eu mordo-o!

por João Miguel Tavares, em 27.05.14

Eu agora não tenho tempo para estar a escrever sobre isto, mas amanhã não falha. De qualquer forma, se puderem, e se quiserem antecipar-se ao verter do meu ódio, não percam esta entrevista com o pediatra espanhol Carlos González publicada no Observador. Logo o título é todo um programa:

 

"Todos os castigos são inúteis"

 

Todos? Todos mesmo? A sério?!? Eu juro que fico maluco com o discurso cutchi-cutchi acerca da paternidade e dos filhinhos. M-A-L-U-C-O! Parece que se está a ser queriducho quando, na verdade, só se está a dar cabo do equilíbrio mental das famílias. Acabem-me com o mito do bom selvagem de uma vez por todas, por amor de Deus.

 

Mas calma. Respirar fundo. Para já, vou fazer a posição lótus, que não tenho tempo para isto. Deixo só um enorme GRRRRRRR!!! ao Carlos González e fica prometido para mais tarde a expensão da minha bílis.

 

publicado às 12:02


57 comentários

Imagem de perfil

De Padrinhos Civis a 27.05.2014 às 17:36

Temos polémica! Eis o texto do Arrumadinho sobre o assunto: http://oarrumadinho.sapo.pt/um-pediatra-polemico-330647

Nada como uma boa tese seguida duma boa antítese para mover o mundo. Neste caso saímos todos a ganhar, ouvimos opiniões de pessoas com experiência (um tem 4 filhos, o outro 3, o outro 2 - JMT, não veja já aqui uma razão numérica para o suportar, até porque se pode voltar contra si, já que 3+2=5), com boa capacidade argumentativa e se pautam por termos de discussão salutares.

Aguardo com expetativa.
Imagem de perfil

De Padrinhos Civis a 27.05.2014 às 17:44

Se considerarmos que "agarrem-me senão eu mordo-o" é salutar...
Sem imagem de perfil

De ... a 28.05.2014 às 09:46

Atenção que os filhos não podem ser avaliados numericamente. O meu pai teve 6, e? Quantas birras aturou? Zero. Quantas noites não dormiu? Zero. Eu só tenho dois mas sou realmente mãe, sem poder dar a volta, isto é, não tenho quaisquer ajudas, nunca posso partilhar responsabilidades, quando estão na creche estou a trabalhar e fora da creche estou sempre, sempre, sempre com eles, sem um intervalo, sem ter tempo para mim há anos, sem poder fazer um programa de adulto com o meu marido. Conheço muitos casais que (e atenção, não é um crítica, acho muito positivo e quem me dera) são uma espécie de irmãos dos filhos, isto é, a responsabilidade dos miúdos é dividida com os avós. E isso para mim faz muita diferença, a suficiente para que esses pais não percebam que quem não tem escapes maior dificuldade terá em seguir as psicologias bonitinhas, porque está ali sempre, sempre a dar o corpo ao manifesto, sempre sobre pressão, sempre a viver apenas para eles. Se eu tivesse volta e meia um escape, se calhar também achava que os outros pais é que "têm pouca paciência". Que não se julgue que por X ou Y ter uma mão de filhos realmente entende aquele que só tendo um é quem tem de estar em tudo para esse um.
Sem imagem de perfil

De Teresa Antunes a 28.05.2014 às 10:40

Completamente. Assim por alto, e não é criticar (mas como sigo o blog do Arrumadinho), ora vejamos: tem temporadas fora de casa em reportagens descansado sem aquela pressão dos miudos, vai viajar só com a mulher que é um descanso completo e cria saudade e restabelece paciência, só agora no fim-de-semana, teve bilhetes para o jogo, foi com a mulher, sem ter de abdicar disso ou sequer se chatear com o "onde fica o miudo", quem dá jantar ao miudo, quem atura o miudo, quem da banho ao miudo, quem adormece o miudo, quem vai la quando acorda, logo na noite seguinte foi para o Rock in Rio, novamente acompanhado da conjugue, sem ter de se proecupar onde está o miudo (e muito provavelmente chegou a casa, tomou o banho, deitou-se e dormiu sem a pressao de noites interrompidas que o logico é o miudo ter ficado de noite com quem ficou com ele durante a ida ao concerto), se tiver uma data importante para terminar um trabalho terá alternativas e nao ter de ficar ali com aquela tortura (sim, é uma especie de tortura) de ver o relogio a passar e nao poder trabalhar, concentrar-se, ter de estar ali a fazer as 5 sopas e 5 frutas para a semana de creche que aí vem, se o miudo estiver doente dias a fio nao tem de faltar ao trabalho. Quanto ao filho mais velho, tanto quanto entendo, reparte dias com a mãe dele, portanto metade do tempo nao tem de ser efetivamente e permanentemente pai. Eu nao estou a criticar, e acho que ser pai assim é muito melhor porque conseguimos ter mais paciencia, sermos melhores porque continuamos a poder ser nós...mas por favor, nao comparem, nao mesmo, a quem é pai a tempo inteiro, a quem toda e qualquer sopa, todo e qualquer banho, toda e qualquer noite, toda e qualquer doença (e falo com o meu filho em casa aqui doente logo hoje que precisava tanto de ir trabalhar e à conta disso tive de desistir de um congresso importante..isto dói, e esta dor esses pais que têm permanente encosto, nem sequer têm noçao que existe).
Sem imagem de perfil

De Bruxa Mimi a 28.05.2014 às 21:25

Muito bem visto!
Sem imagem de perfil

De liliana antonio a 27.05.2014 às 15:47

Não acredito que ele queira dizer que TODOS os castigos sejam inúteis. Aliás, não sei o que é que classifica de castigos. Além disso, parece que devemos tratar as crianças como se fosse um dos nossos amigos. Bem, não estou a ver nenhum dos meus amigos desatar a correr, gritar pelo centro comercial adentro... ou a tirar os brinquedos a bruta de outra pessoa. Há certas pessoas que me tiram do sério e eu simplesmente não me dou mais com elas. Se calhar devo deixar de me dar com os meus filhos...

Enfim, acho que há que haver bom senso. Há coisas que não se podem comparar.



Imagem de perfil

De Carolina Maria a 27.05.2014 às 15:37

Não li tudo, li apenas na "diagonal" mas percebi que discordo de muita coisa escrita nessa entrevista.
O pediatra diz que as crianças têm de ser amadas - óbvio, toda a gente sabe isso! Mas amar não é deixar a criança fazer tudo. Muito menos é dizer-lhe a tudo que sim.
O pediatra Carlos González defende que "É claro que é preciso impor limites aos mais novos. Todos os pais o fazem. O que digo é que os limites lógicos e razoáveis são impostos pelos pais sem que ninguém diga nada. " Até aqui concordo 100% com ele. Mas, e quando a criança ultrapassa os limites impostos pelos pais?
Cada casal educa os seus filhos como bem entende mas eu confesso que fiquei com uma certa vontade de conhecer os 3 filhos deste senhor...
Castigar uma criança faz parte da sua educação! A criança tem de perceber que, se se portar mal, vai ser castigada.
Uma palmada pode doer no momento e depois passar - claro que depende da situação, sobre as palmadas eu acho que "nem sempre, nem nunca". Mas, o castigo "dói" ainda mais. "Dói" mais a uma criança ficar sem tablet 2 dias do que uma palmada dada no momento - que 5 minutos depois já nem se lembra de a ter levado.
E, sabendo que pode voltar a ser castigada, talvez na segunda vez em que a criança pense fazer determinada asneira pare para pensar se vale a pena...
Sem imagem de perfil

De Simplesmente Ana a 27.05.2014 às 17:53

Eu uso dos castigos (não vê televisão durante um curto período de tempo, por exemplo) em vez das palmadas. Mas o que este pediatra defende é que os castigos não ensinam, mas manipulam.

A minha filha, muito provavelmente, vai repetir o erro após o castigo. Naquela altura, o que ela aprendeu é que se se portar mal não vai ver televisão. E, se virmos bem, é verdade. Eu é que ainda não sei outra maneira de impor limites...
Sem imagem de perfil

De Pedro a 03.06.2014 às 15:48

Eu nunca fui castigado. Portava-me mal qb, fui repreendido muitas vezes mas agora que penso nisso nao fui castigado. Uma bela repreensao, consistencia na mensagem desde o primeiro momento resolviam o assunto. Claro, se jogasse a bola perto dos carros dos vizinhos acabava-se a bola naquele dia. Isso nao é um castigo? Nao. É a consequencia natural dos meus actos. Confesso que achava barbaros os pais dos meus amigos que levavam castigos. E idiotas. Porque o castigo passa a ser moeda de troca. Vale a pena arriscar portar-me mal vs. ficar sem TV. Os muidos aprendiam rapidamente a manipulacao e sabiam fazer analises risco-beneficio - para alem de verem os pais como tiranos que queremos ver pelas costas. E curiosamente eles tinham todos mais liberdade que eu. Que é como quem diz hoje - falta de regras. Os castigos ainda por cima eram arbitrarios e destruidores da relacao pais-filho. Por alguma estranha coincidencia qt menos presentes os pais, pior o comportamento e maiores os castigos, aos quais eles eram insensiveis ao fim de certa altura. Acho que ate era para chamar a atencao. E na adolescencia passaram eles a castigar os pais... Eu por meu turno sabia que o desapontamento dos meus pais era "castigo" muito pior, e em todo o caso eles perdiam bastante tempo comigo a ensinar-me a fazer a coisa certa. E eu entendia e melhor ou pior ia fazendo.
Imagem de perfil

De Carolina Maria a 04.06.2014 às 00:22

Mas o que se debate aqui não são os castigos arbitrários de pais ausentes. Fala-se de castigos de pais presentes, que estabelecem limites e regras que os filhos ultrapassam/quebram.
Na minha opinião, tirar-lhe a bola por jogar perto dos carros dos vizinhos é considerado castigo.
Acredito que existam crianças que (tal como o Pedro) vão lá só com palavras mas, sinceramente, não conheço nenhuma.
Cada vez conheço é mais crianças com menos educação.
E as poucas que conheço que (por norma) vão lá só com palavras, acabam por fazer as suas birras quando as palavras dos pais não são as que elas querem ouvir... E, com tanta palavra, os pais acabam por pedir-lhes que façam uma coisa e eles não fazem, dando uma qualquer justificação... E se não o fazem é porque os pais cederam (o que eu acho que é péssimo, porque se os pais mandam, justificam, e mesmo assim a criança não percebe, tem de ser obrigada).
Sim, também concordo com a sua situação (de considerar a desilusão dos pais como maior "castigo") mas, se os pais dos seus amigos eram ausentes, provavelmente não se desiludiriam tão facilmente como os seus. Mas quanto à adolescência, acho que a situação é completamente diferente...
Sem imagem de perfil

De Bmm a 27.05.2014 às 15:30

Ansiosamente à espera do post de amanhã.
Nunca fui muito à bola com as teorias deste pediatra. Acho mm q não deve ter filhos ou então nunca esteve em casa para os educar.
É a única explicação que arranjo para tanta "fofice".
Imagem de perfil

De Carolina Maria a 27.05.2014 às 15:40

Aí é que está... Eu pensei exatamente o mesmo e procurei a resposta na entrevista: "está casado há mais de 30 anos e é pai de três – “foram eles que me ensinaram a educar um filho”."
No mínimo estranho...
Sem imagem de perfil

De Conceição M. a 27.05.2014 às 17:00

É igualmente estranha - para mim - a expressão "foram eles que me ensinaram a educar um filho", pela presunção que revela. Não li o livro, não conheço as teorias do senhor e nem sequer consigo abrir o link que o JMT deixou no post, no entanto, estas "certezas absolutas" deixam-me sempre de pé atrás. Não acredito em "receitas" para educar os filhos - o que funciona com uns não funciona com outros, o que funciona numa época, quando um filho tem determinada idade, se calhar já não é uma verdade universal quando o filho a seguir, 4 ou 5 anos depois tiver aquela mesma idade...
Seria, de facto, mais fácil se os filhos viessem com um manual de instruções, mas não era a mesma coisa ;)
Sem imagem de perfil

De Anacleto a 27.05.2014 às 20:34

Pois, so a chapada e que pelos vistos funciona de forma universal! Isto realmente...
Sem imagem de perfil

De Luisa a 04.06.2014 às 08:55

Tem 3 filhos. O mais novo tem 22 anos.
Sem imagem de perfil

De M. a 27.05.2014 às 15:09

Quando li a entrevista só pensava no que o JMT ia escrever sobre o assunto!... Achei que ias adorar!
Sem imagem de perfil

De Mariana Santos a 27.05.2014 às 14:40

Força, estamos contigo! Não há pachorra!
Sem imagem de perfil

De David Cabanas a 27.05.2014 às 14:17

Eu tenho muita dificuldade em lidar com o caos, confusão, desarrumação, gritaria, etc...sempre gostei de regras! Acho o amor fundamental na educação de uma criança, o mimo é o segundo componente mas uma palmadinha bem dada, na hora certa resolve muita coisa! Eu concordo com algumas coisas que diz o pediatra mas também concordo contigo...não acho os castigos inúteis mas também acho que não se deve castigar por tudo e por nada...
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 27.05.2014 às 14:14

Eu já sabia... assim que li a entrevista lembrei -me logo de si!!!
Que não ia deixar escapar.

Aproveito para lhe dar os parabéns pelo blog.
Sem imagem de perfil

De marta a 27.05.2014 às 13:38

já tinha lido o artigo e finalmente alguém que me entende...
Sem imagem de perfil

De Isabel Prata a 27.05.2014 às 13:08

Em muitos pontos de acordo:

1 no dormir na cama dos pais - dormir toda a noite não, mas adormecer eu e os meus 3 filhos adorámos. Como o mais novo já tem 9 anos, escusado será dizer que já nenhum o faz.

2 Palmadas - nunca, já aqui o disse e defendi.

3 - Obrigar a comer e obrigar a comer o que não se gosta - nunca. Pelos 4 - 5 anos o meu filho mais novo raramente jantava, almoçava bem na escola, idem para o lanche, se calhava comia um iogurte quando chegava a casa e bastava. Nada de mal lhe aconteceu, com 9 anos está bom, nem peso a mais nem a menos e saudável. Comemos todos sopa lá em casa porque gostamos todos muito. O de 9 anos não come saladas, os outros dois comem muita salada.

4 Amor e miminhos, nunca é demais.

Comentar post





Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D