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Eu já tinha iniciado há coisa de mês e meio esta colorida rubrica, convicto de que o Gui me continuaria a oferecer material para a ir preenchendo a espaços regulares. E assim é. Ontem à noite ia entrar no quarto e tinha estas coisas penduradas na porta:
E perguntam-me vocês o que é isto. Foi o que eu perguntei ao Gui - porque só poderia ter sido o Gui, claro. E a resposta é tão esquisita que, se calhar, é melhor usar legendas:
Portanto, temos no canto superior direito uma vaca, que basicamente consiste num recorte de papel em forma de mesa com uma cabeça desenhada a lápis; temos no canto inferior esquerdo uma mesa, que mais não é do que uma tira de papel pintada a lápis, e que portanto também poderia ser uma vaca ("não tinha mais papel", argumentou o Gui); e depois temos ao meio seis corações que mais parecem ovos estrelados defeituosos. Os seis corações ainda se percebem - representam a nossa família, claro -, mas o que é que ali está a fazer uma "vaca" e uma "mesa"? Sabe Deus.
Eis o que é giro no Gui: ele não tem jeito nenhum para o desenho. Com seis anos, deveria desenhar muitíssimo melhor. Não queria que ele fosse um Vermeer, mas, pelo menos, podia ser capaz de produzir vacas com cornos e quatro patas, e corações que não pareçam ovos estrelados defeituosos. Mas a sua cabeça está sempre a fervilhar com estas ideias. É um criativo desajeitado - aquilo que executa não é nada virtuoso, mas só ele é que se lembra de fazer certas coisas. Como esta, por exemplo:
Isto é o carrinho que ele adora desde praticamente bebé, arrastando-se com ele pela casa. Só que agora já tem seis anos e deu um pulo gigante. Está muito alto, e as pernas já não cabem ali. Vai daí, foi buscar uma mega-bola de ténis que os nossos antigos vizinhos da frente nos ofereceram, arrancou a tampa do carrinho (que também servia de assento) e arranjou maneira de encaixar ali a bola, conseguindo assim mais 30 centímetros de assento e mais 30 meses de viagens de carro pelos corredores da casa.
Não faço ideia do que o Gui vá ser quando for grande, mas contabilista, arquivador ou manga-de-alpaca não vai ser com certeza. Ele está sempre a criar e a produzir obra. Obra horrível, a maior parte das vezes, mas obra, ainda assim. No outro dia encontrei este papel desenhado em cima da mesa do escritório.
Nunca cheguei a perceber que raio era aquilo (uma baleia, um lago?), mas estranhei que fosse um papel tão pequeno e tão bem aparado. Onde é que o Gui tinha arranjado aquilo? Quando virei o papel...
...era uma factura minha. Assim que a contabilista receber isto, vai achar que anda a fazer o IRS para uma família de malucos. E não sou eu quem a vai desmentir.