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E agora é a vez de Eduard Estivill

por João Miguel Tavares, em 18.06.14

O jornal online Observador, depois de ter efectuado uma polémica entrevista ao pediatra catalão Carlos González, que muito deu que falar neste blogue, regressa agora com uma nova entrevista, desta feita à nemésis de González, o igualmente pediatra e igualmente catalão Eduard Estivill.

 

Que os senhores devem gostar muito um do outro fica bastante claro pela resposta de Estivill à seguinte pergunta:

 

Para Carlos González, todos os castigos são inúteis. Que opinião tem dele e das suas teorias – porque acha que é um sucesso de vendas?
Não conheço esse senhor, pelo que não posso comentar.

 

Não sei porquê, fiquei desconfiado de que não se frequentam.

 

Ainda assim, nesta batalha de gigantes da pediatria catalã, desconfio que não me seja lá muito difícil escolher o lado. Reparem como até no campeonato da foto-foleira-com-a-mão-na-bochecha (juro que não sei como é que alguém continua a tirar fotos deste género em 2014), González e Estivill têm posturas inteiramente diferentes.

 

 

Carlos González nunca perde o ar beatífico. Ele sorri, sim, mas é um sorriso de quem já atingiu um patamar superior de sapiênca pediátrica. A mão direita apenas faz o favor de amparar uma cabeça que já não é deste mundo. Ele paira acima de nós.

 

 

 

Eduardo Estivill segura a bochecha esquerda de uma forma completamente diferente. Está com o dedo apontado, provavelmente para mais depressa o virar na direcção de um puto irritante, se for preciso colocá-lo no seu lugar. Além disso, não há nada de beatífico no seu sorriso. É um sorriso de um gajo normal, que está ao nosso nível, e os dentinhos de coelho ajudam a acreditar no que ele diz. Se ele tivesse pinta de ariano, a gente tinha mais receio da sua paixão pelas regras e pela autoridade. Num tipo com dentes de coelho, é sempre muito mais fácil acreditar.

 

Como se vê por esta minha equilibradíssima e justíssima apreciação dos dois pediatras só com base em fotografias, eu acho que sou mais Estivill. E, na verdade, não é só por causa das fotos. É mesmo por causa de respostas como estas:

 

Acha que as crianças devem ser castigadas?
O castigo é um acto negativo que a criança pode entender com ansiedade. Ao invés, regras firmes em todos os hábitos dão segurança às crianças. O importante é que os pais comuniquem as regras e os limites como uma coisa natural e não como um castigo.

 

Quais as consequências da culpabilização dos pais no desenvolvimento dos filhos?
Os pais inseguros, com baixa autoestima e problemas pessoais têm uma maior tendência a proteger em demasia os filhos. Assim, passam-lhe as suas carências, o que os torna mais inseguros. O contrário acontece com os pais que são seguros de si mesmos.

 

Acha que tem um discurso centrado nos pais?
Todos os estudos científicos mostram-nos que, na questão dos hábitos de ensino, os responsáveis são os pais. As crianças não aprendem sozinhas, mas sim aquilo que lhes ensinamos. De pais seguros saem crianças seguras. De pais inseguros saem crianças sem bons hábitos. Quando uma criança come bem, dorme bem e está bem educada, o mérito é dos pais. O mesmo acontece no sentido contrário.

 

Mas leiam toda a entrevista, porque vale a pena.

 

publicado às 09:51


61 comentários

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De Maria a 18.06.2014 às 15:30

Não castigar não significa não ter capacidade educativa.
Não bater idem aspas.
Não deixar chorar também não.

São opções de cada um claro está, mas se vos dissessem: existe outra forma de educar sem fazer nenhuma destas coisas não seria preferível?

Pois então, só porque se desconhece não quer dizer que não exista.
( Positive discipline- Jane Nelson)

P.S.
São os pais que dão chuchas aos filhos! As chuchas como deveria ser óbvio, são uma invenção recente e servem para substituir o original apaziguador...adivinharam?! A mama! De quem? Da mãe!!
Dão a chucha e depois certo dia decidem: Caramba agora já é demais. A partir de hoje, afinal já não consideramos que seja aceitável ter esse "hábito"! Então vamos nos enervar todos, fazer-te chorar sem razão nenhuma e a seguir vamos congratular-nos por termos feito uma serie de asneiras sem necessidade. Por fim postamos isso num Blog afim de demostrar como deixar chorar e castigar faz todo o sentido!
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De Anónimo a 18.06.2014 às 16:42

Concordo tanto, tanto, tanto!
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De JP a 18.06.2014 às 20:02

Por acaso gostava de ver algumas mães (pressuponho que mães-trabalhadoras, como eu) a dar a mama sempre que os filhos gémeos a pedem. Gémeos! Repito: gémeos! Acho mesmo o máximo da culpabilização das mães que reservam para si um pouco de sanidade mental. Sim: sanidade mental. Para mim, manter a sanidade mental incluía não ter de andar sempre com as mamas de fora. Literalmente. Daí termos optado pela chucha e pelo biberão - essas invenções modernas que tanto ajudam as mães que trabalham.
Não foi pela minha filha ter chorado um pouco mais uma - UMA - noite, por querer a chucha, que não é hoje uma menina de 7 anos com uma auto-confiança pouco comum entre as crianças da mesma idade. Essa auto-confiança não foi conquistada nessa noite. Foi um trabalho diáro, contínuo, feito sempre com muito amor e respeito pela nossa filha. Se tivéssemos de o voltar a fazer não o faria de outra forma.
E, sim!, digo-o com toda a liberdade: tenho muito orgulho de o ter conseguido sem me "escravizar" à "tirania" das vontades e dos quereres dos meus filhos. A educação deles baseia-se no respeito mútuo, ajudando-os a crescer como indivíduos independentes, confiantes, honestos e respeitadores. E conseguimos isso sem nos anularmos às exigências próprias de quem está a crescer e a conquistar o seu espaço neste mundo. Isso também é importante.

P.S. - Já agora, por curiosidade, as mães que optam por dar a mama, algum dia decidem que é hora de deixar de a dar. Ou não?...
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De Maria a 18.06.2014 às 21:46

Fico deveras contente por ter uma filha auto-confiante! Que óptimas notícias!

Não entendo é o restante... Alguém a fez sentir culpada por ter optado por dar biberão? Ou até mesmo chucha? De todo... Essas palavras foram utilizadas pela primeira vez por si!

Ninguém é obrigado a dar de mamar, especialmente quando sente que isso seria um atentado à liberdade tão gravoso como "escravidão"!
Sim, porque não restem dúvidas, quando os bebés querem mamar na mama da mãe, são autênticos "tiranos", capazes das maiores atrocidades como chorar, desrespeitando categoricamente a independência dos progenitores. E como disse, e tão bem, correndo assim o risco de serem anulados totalmente!

Congratulo-a igualmente por não ter nascido no século 19! Aí teria passado um mau bocado e quem sabe o que poderia ter acontecido por andar alguns meses com as " mamas de fora"... Ter-se-ia sentido muito infeliz de certo...

Contudo, não pode deixar de admitir que tanto o biberão como a chucha são substitutos do peito! Mas ninguém está a dizer que são maus! Não deixam é de ser substitutos....

Quanto à questão laboral: Sim, somos todas mães trabalhadoras! Não era bom que podéssemos todas trabalhar só um bocadinho menos e estar com os nossos filhos um bocadinho mais?
Ora aí está algo pelo qual todas nos devíamos debater!

P.S.
Nem sempre são as mães que decidem o desmame. Por vezes são as crianças que querem deixar de mamar. É uma coisa que acontece naturalmente e em geral, gradualmente...
Não, não é numa noite...
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De Sofia Lopes a 18.06.2014 às 23:47

Errrr... Não, não são as mães que decidem o desmame (ou pelo menos não é suposto que assim seja). O desmame é um processo gradual iniciado pelo bebé!
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De Maria a 19.06.2014 às 06:26

Sim, foi o mesmo que disse. Mas há mães que decidem parar como deve calcular, e são elas que iniciam o processo.
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De Sofia Lopes a 19.06.2014 às 10:10

Maria, o meu comentário foi em resposta ao do leitor JP que diz "Já agora, por curiosidade, as mães que optam por dar a mama, algum dia decidem que é hora de deixar de a dar. Ou não?..."
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De Bruxa Mimi a 19.06.2014 às 13:19

Os meus filhos mamaram enquanto quiseram, mas de certa maneira fui eu, mãe, que iniciei o desmame, quando introduzi outros alimentos, não?

Nenhum bebé escolheria não mamar se não soubesse que havia outras opções de alimento.

(Sei de uma mãe que deu de mamar em exclusivo ao filho mais velho durante dois ou dois anos e meio. Quando a conheci, já o filho era um adolescente/jovem adulto, mas tinha tantos problemas de socialização que eu, que sou totalmente adepta da amamentação, fiquei sempre a pensar se não teria sido consequência da dependência forçada da mãe nos primeiros tempos alargados...)

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De Sofia Lopes a 19.06.2014 às 17:01

Sim, obviamente que fui eu a dar outros alimentos que não leite materno ao meu filho, mas só o comecei a fazer quando ele começou a demonstrar curiosidade por aquilo que nós comíamos, lá pelos 6 meses e meio. no meu (nosso) caso, a iniciativa (ainda que tácita) partiu do meu bebé...
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De LA-C a 18.06.2014 às 15:27

"De pais seguros saem crianças seguras. De pais inseguros saem crianças sem bons hábitos. Quando uma criança come bem, dorme bem e está bem educada, o mérito é dos pais. O mesmo acontece no sentido contrário."

A sério que acreditas que isto é assim tão determinístico? Muito sinceramente, basta-me ler isto para já não ter vontade de ler mais nada deste pediatra.
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De JP a 18.06.2014 às 14:35

Bom... de facto, este assunto dá pano para mangas! Um dos episódios que mais me custou foi quando decidimos tirar a chupeta à nossa filha. O irmão, gémeo, deixou a chupeta por volta dos 9-10 meses e ela continuou até que achámos que já era de mais. Lá a fomos mentalizando e um dia foi o dia em que ela, pequenina, claro!, concordou que ia dormir sem chupeta. E lá foi para a caminha, confiante. Passado um pouco já a estava a pedir. Daí a cmeçar a chorar, foi um estantinho. Foi nesse momento que a actuação do meu marido foi fundamental. Porquê? Porque não me deixou ir levar-lhe a chupeta. Era a filha a chorar na caminha e eu a chorar à porta. O pai a dar-lhe colinho transmitindo-lhe confiança para adormecer sem chupeta ao mesmo tempo que me controlava para não voltar atrás. Sim, porque estas coisas de tirar chupeta e voltar a dar-lha ia ser um filme sem fim, como sabemos. E assim foi. Ela chorou muito mas acabou por conseguir ter auto-confiança para adormecer sem a chupeta. A lição que tirei disto: não é apenas deixar chorar e não querer saber. É apoiar os filhos no seu crescimento: quer seja a dormirem sem chupeta ou outra coisa qualquer. Se lhes transmitirmos segurança eles sentem-se confiantes em dar "aquele" passo que precisam. Penso o mesmo com a imposição de regras e limites. E eles sabem quando pisam a linha. E os meus sabem tão bem que até já calculam qual o castigo mais adequado à infracção. Quando era miúda, sempre ouvi dizer "quem dá o pão, dá a educação" e agora, mãe que sou, entendo estas palavras como na altura nunca pensei vir a entender. É tudo uma questão de bom senso :)
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De Vanessa Martins a 18.06.2014 às 23:02

Ela não teve autoconfiança para adormecer. Ela não teve foi outra hipótese que não adormecer: chorar muito cansa.
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De mãe sabichona a 18.06.2014 às 13:36

Nem um nem outro me enchem as medidas.
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De Padrinhos Civis a 18.06.2014 às 12:46

O mérito é dos pais quando corre bem, suponho que quando corre mal a eles se aponte também o demérito.
Antes de ter filhos, também apontava assim o dedo quando via birras nos filhos dos outros. Agora, a experiência ensinou-me melhor. Agora acredito que há traços inatos, com os quais os pais nada têm a ver. Há crianças que têm transtornos de sono desde que nascem e praticar rotinas ajuda, mas não resolve.
Estou a falar, por exemplo, de terrores noturnos - quem já foi acordado de madrugada por um filho a gritar como num filme de terror sabe do que estou a falar. E depois, há aquelas crianças que dormem como anjinhos, os chamados "come e dorme" - é mérito dos pais? Desculpem, mas vão-se lixar com essa teoria.
Sei que é nosso mérito o que temos conseguido para, com passinhos de bebé, ultrapassar os transtornos de sono lá em casa, seguindo rotinas, tranquilizando, tendo horas certas - e não, a criança não vê programas de televisão assustadores, sempre cuidámos da apropriação dos programas de tv à sua idade. Ao final de anos, já dormimos melhor (todos, porque o sono de todos é afetado quando alguém em casa tem este tipo de problema). Agora, dizer-nos que os pais das crianças que dormem bem têm mérito e os pais das crianças que não dormem bem, não... pá... são teorias a preto e branco. E o mesmo se diga sobre alimentação, conduta de objeção, hiperatividade (daquela, verdadeira, clinicamente diagnosticada) e muitos outros problemas que afetam famílias por todo o lado. Não somos todos iguais: não é à toa que irmãos educados segundo princípios idênticos pelos mesmos progenitores saem tão diferentes.
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De ... a 18.06.2014 às 13:39

Concordo tanto consigo, mas lá está, porque o vivo na pele. É exatamente isso, o "não me lixem com o mérito dos pais do bebé que desde 1 mês de idade dorme 12 horas seguidas". Mas lá está, antes de ter a minha filha, que não se conforma com nada e, ao contrário do irmão, tem sido terrível para muita coisa, nunca pensei no quão o tipo de criança influência a experiência da maternidade e o "quão bem ou mal" nos saímos. Noto também que mesmo pessoas com filhos que lhes permitiram manter a sanidade mental de melhor forma não entendem nem acreditam nas "crianças difíceis". Mas que as há, há.
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De Maria a 19.06.2014 às 01:13

Eu acreditava que o mérito era dos pais até o meu segundo filho surgir na minha vida. Ao primeiro, o meu come e dorme, o meu "sim, mamã", mando ir lavar as mãos e ele vai. Ao segundo, se realmente quero que ele lave as mãos, pergunto-lhe: queres lavar as mãos na casa de banho azul ou na verde? E ele escolhe. E lava.

Mas se eu mandar lavar as mãos, a resposta é "não vou", acrescido de uma brutal birra. Podia seguir palmada, sim, podia, mas isso implicava passar o tempo a bater-lhe e a gritar, porque é assim com praticamente tudo (tem melhorado, mas mais porque eu mudei a estratégia).

O primeiro filho não sente necessidade de controlar o que faz, o segundo sente necessidade de decidir. Desde que ele lave as mãos, quero lá saber se é na azul ou na verde. Mas ele quer. :)
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De ... a 19.06.2014 às 07:46

Também faço essa marosca Maria (embora muitas vezes nem essa).
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De Bruxa Mimi a 19.06.2014 às 13:22

Também gosto de dar escolhas aos meus filhos, são meio caminho andado para uma postura de maior colaboração.
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De Anónimo a 18.06.2014 às 12:17

Mas quem no seu perfeito juízo acha que deixar chorar um bebé durante a noite para "aprender a dormir" faz mais sentido do que ir ao encontro das suas necessidades! Sim, são necessidades e não "manhas"!! São bebés!! Se choram é porque precisam de algo! Ou é mais logico que o fazem porque querem chatear os pais durante a noite? Ou porque tem problemas de sono? Vou repetir: são bebés!!

Pelo amor da santa!
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De Maria a 18.06.2014 às 11:52

Confesso que estou com alguma dificuldade em comentar de forma construtiva e racional ao ler este post...e estes comentários!
Por um lado autor do blog continua a fazer comentários sem ler livros baseando-se em entrevistas e como tal não se apercebe da gravidade da questão..e por outro...bom a minha fe na humanidade já viu melhores dias!

Resumindo: Carlos Gonzalez justifica o que defende com provas cientificas e Estevill fala de conceitos (sem qualquer base cientifica) que foram amplamente difundidos por regimes políticos absolutistas no século XX!

Interessante observar um jornalista (e pai) que se identifica mais com este lado!

P.S.( entalado ha algum tempo)
Em relação aos meninos terem que comer tudo o que esta no prato ( so porque foi assim que eu aprendi e porque sou eu quem manda aqui, porque tenho imensa auto-confiança principalmente ao exercita-la defronte a um menor de meio metro), não lhe parece que ao obriga-los a comer significa aumentar exponencialmente o tempo de orbita em volta dos pequenos?
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De João Miguel Tavares a 18.06.2014 às 12:05

Esse seu PS é um bom ponto, Maria. Mas, de resto, um pouco mais de sentido de humor, bolas. É como a resposta ali em baixo: "tenho pena do seu filho". Maria, ainda que não concorde com o método adoptado por aquele pai, que pelos vistos funcionou para ele, não estamos a falar do fim da civilização, certo? Deixar um filho chorar duas noites não é o mesmo que patrocinar o genocídio no Ruanda, diria eu. A Maria coloca tanta seriedade neste tema que parece que estamos a falar de vida ou morte.
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De Maria a 18.06.2014 às 13:06

Compreendo o comentário, mas como sabe há assuntos que nos são demasiado importantes para conseguirmos discuti-los levianamente!

É exactamente este o busílis da questão! É que nas coisas que realmente importam as crianças aparecem sempre em ultimo na lista de prioridades e de direitos humanos ( ao contrário do que o João parece pensar!)

Sim, porque não se trata andarem ma equitação, aprenderem piano e a falar 5 línguas, mas de não merecerem a atençãozinha de serem confortadas quando choram ou de comerem até estarem satisfeitas ou sofrerem físicas quando um terceiro acha que se justifica!

Parecem ser as únicas a quem é aceitável deixar sofrer, desrespeitar e humilhar!

Caramba, as vezes nem acredito que este assunto seja discutível!

Se estivéssemos a falar de violência domestica ou de abuso psicológico entre conjugues o João nem sequer me colocaria esta questão certo?

P.S.
Nenhum de nos tem memória dessa altura da nossa vida, mas quem sabe se para um bebé que acorda sozinho a meio da noite não é como estar num meio de um genocídio no Ruanda! Ou o João acha que tem consciência de que temos portas e paredes?
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De Quando me encontrares a 18.06.2014 às 11:11

Lá está: um é um senhor cheio de "teorias", cheio de ele mesmo. O outro é um cientista...
Apliquei o método Estivill para ensinar o meu filho e resultou.
Nunca aceitei a máxima de "deixa chorar" ao meu filho. E nunca seria capaz de a aplicar.
Quando o meu filho tinha 2 anos e meio, emprestaram-me o livro do Estivill. Olhei-o com desconfiança, mas acabei por lê-lo. E em boa hora o fiz! O método fez-me todo o sentido, por estar apoiado em ciência, em estudos da fisiologia do sono, e por não ser uma daquelas teorias disparatadas de "deixar chorar". Decidi aplicá-lo, rigorosamente, "by the book", e resultou. As duas primeiras noites foram infernais, com muito choro, muita chantagem emocional, muitos "opá, vamos desistir, porque hoje ninguém dorme no prédio" do meu marido. Mas à terceira noite, o meu filho foi pacificamente para a cama, sorriu, deu-me as boas noites e adormeceu sozinho.
Tornou-se uma criança mais calma, mais alegre e bem humorada, e mais auto-confiante. (Sim, os sintomas de falta de um bom sono que vinham no livro também encaixavam no meu filho!)
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De Maria a 18.06.2014 às 11:53

Tenho muita pena do seu filho.
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De ... a 18.06.2014 às 13:46

Eu tenho realmente pena mas é de crianças por esse mundo fora que nem o podem ser. Avaliar e ter pena do filho desta comentadora por meia dúzia de palavras na caixa de comentários de um blogue é um pouco lamentável e não entendo o que move uma pessoa a escrevê-lo assim, "levianamente".
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De Maria a 18.06.2014 às 15:12

O mesmo que move pessoas a comentarem esse comentário....ou será que não? Quando não se tem argumentos para debater o que realmente interessa fazem-se 2 coisas:

Repreende-se o óbvio e fala-se dos mais desgracadinhos ainda!

Boa!
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De Patricia a 18.06.2014 às 15:34

Mas tem pena porquê?
A própria mãe diz:

"As duas primeiras noites foram infernais, com muito choro, muita chantagem emocional, muitos "opá, vamos desistir, porque hoje ninguém dorme no prédio" do meu marido. Mas à terceira noite, o meu filho foi pacificamente para a cama, sorriu, deu-me as boas noites e adormeceu sozinho."

Tem pena porque a criança chorou? Só falta dizer que o/a seu/sua filho/a nunca chorou porque não gostou de algo que lhe disse ou fez!
Neste caso a criança chorou porque a fizeram ir para a cama quando os pais decidiram que estava na hora, logo contrariando os seus desejos, e isso é o que os pais devem de fazer: ensinar os filhos que na vida existem contrariedades, que nem sempre as coisas irão acontecer como e quando eles querem e desejam e que muitas vezes se terão de submeter às ordens/desejos de outras pessoas.
E a verdade é que ao fim do 3º dia:

"Tornou-se uma criança mais calma, mais alegre e bem humorada, e mais auto-confiante. (Sim, os sintomas de falta de um bom sono que vinham no livro também encaixavam no meu filho!)"

Portanto, não consigo perceber onde é que se deve ter pena desta criança...
(e sim, eu também tenho filhos, que foram e continuam a ser contrariados e que são crianças/adolescentes cujo unico problema é a rebeldia própria das suas idades)
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De Maria a 18.06.2014 às 16:26

Curiosa a preocupação com a mãe (ou pai) que escreve este comentário e não com as crianças. Afinal é delas que se trata, não?

Passo a explicar o método Estevill resumidamente: consiste em deixar chorar o bebé por períodos de tempo controlados, por forma a treiná-lo a dormir sozinho, tanto no início da noite como durante a noite. Quando acorda (e acordam todos várias vezes por noite aos 2 anos e meio) a não chamar pelos pais e voltar a adormecer sozinho.

Ora afirmar, que posto isto o bebé "ganha confiança", torna-se mais feliz e independente e então fica provado que o método é excelente, é um perfeito disparate.

O que acontece, e isso sim comprovado, é que a criança desiste de chamar os seus protectores.
Porque choram à noite e porque não querem dormir sozinhos ( pelo menos à volta de 80% dos bebés) :
Há 100 000 anos atrás( e na maior parte das culturas hoje) estavam sempre com as mães, dia e noite senão não sobreviviam!! Foi assim que a nossa espécie conseguiu sobreviver (ou acham que um bebé sozinho na selva aguentava muito tempo?)

Muito mais haveria para dizer mas resumindo: os bebés de hoje tem os instintos herdados dos sobreviventes. É assim e ponto.

Aos 3 anos, mais ou menos, atingem a maturidade e capacidade intelectual de perceber que estão seguros mesmo que estejam sozinhos no seu quarto e que os pais estão por perto!

Bastava ter esperado meio ano, em vez do alarido todo!

Sim, continuo com pena dele. Os bebés quando choram tem motivos para isso, tal como todos nós.
Ele estava a fazer o que lhe competia, a certificar-se que não iria ser abandonado.

Não há necessidade de proceder desta forma, di-lo-ei as vezes que for necessário.
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De Patricia a 18.06.2014 às 16:54


Não me parece que o facto de a criança ter sido contrariada e chorado 2 noites (a criança chorou no momento de ir para a cama porque não lhe estavam a fazer a vontade e segundo deduzo do comentário os pais tentaram acalmá-la e portanto ela não esteve sozinha) a tenha traumatizado ou feito desistir de chamar pelos pais...

Volto a repetir a frase da mãe:
"Tornou-se uma criança mais calma, mais alegre e bem humorada, e mais auto-confiante."

As crianças podem e devem de ser contrariadas, podem e devem de chorar, podem e devem de sorrir e rir, porque tudo isso faz parte de crescer e aprender.
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De Maria a 18.06.2014 às 17:19

Então vamos lá!
As crianças choram? Claro, todas! Pelas mais diversas razões, como todos nós! Choramos se formos despedidos, se alguém que nos é próximo se vai, se o nosso clube de futebol perde na final... O que não precisamos é que alguém invente mais razões inúteis para nos por nesse estado, porque acha que nos faz bem, que "devemos chorar"!

E porque devemos contrariar um bebé de 2 anos e meio? Têm alguma base cientifica para afirmar tal coisa?
E em que situação? Contrariar porque é algo de produtivo em si mesmo, ou porque quer brincar com uma faca?
São situações distintas, naturalmente.

Mas no final a escolha é de cada um.
Pode-se educar respeitando a criança ou não!
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De Patricia a 18.06.2014 às 17:43

Peço desculpa, mas o que é isso de respeitar ou não as crianças?
Está a dizer que se castigo, contrario, proíbo ou obrigo os meus filhos a fazerem algo porque EU como mãe, educadora e pessoa responsável por eles digo que assim tem de ser, não os estou a respeitar?
Ou só os respeito quando os deixo fazer o que querem, quando querem?

Será que somos nós como pais que devemos de tomar as decisões ou deverão ser as crianças a tomá-las para que não se sintam desrespeitadas?
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De Maria a 18.06.2014 às 18:05

Acho engraçado este interesse na minha opinião.
Penso que já debatemos o suficiente e está visto que seria uma luta interminável...

De qualquer forma não quero deixar de ajudar a descobrir novos pontos de vista e proponho bibliografia para o efeito. De certo que a sua leitura será muito mais eficaz e esclarecedora :

Besame Mucho- Carlos Gonzales

Disciplina positiva-Jane Nelsen

Pergunte ao pediatra- Carlos Gonzalez

A Maternidade e o encontro com a própria sombra-Laura Gutman
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De Patricia a 18.06.2014 às 18:50

Maria,

A pergunta que lhe fiz é honesta. Não percebo realmente onde quer chegar com o respeitar ou não a criança.
Sou mãe de uma adolescente de 14 anos e de um pré-adolescente (como ele próprio se entitula) de 10 anos que eduquei sem nunca ter lido um livro de González ou Estivill ou de outro pediatra qualquer. Eduquei-os e continuo a educá-los usando o bom senso e também os ensinamentos dos meus pais e avós.
Cometo erros e volto a tentar porque educar uma criança não é tão simples isso.
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De Maria a 18.06.2014 às 19:37

..E tenho a certeza que fez o melhor possível e que colocou o bem dos seus filhos acima de tudo! É o que a grande maioria das mães faz, felizmente!

Mas a questão que me coloca é demasiado abrangente para responder em poucas linhas! Passa muito pelo que disse noutros comentários que fiz a este post e que pode ler...

Também não acho que seja necessário ler livros para educarmos os nossos filhos, mas é igualmente verdade que nem sempre o que nos foi passado pelas gerações anteriores faz sentido ou é o mais correcto.

Mas penso que se a questão a interessa verdadeiramente deveria ler o que lhe sugeri. Também o fiz com uma honesta vontade de esclarecer meu ponto de vista.
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De Maria a 18.06.2014 às 19:52

Deixo aqui um excerto do Besame mucho de Gonzalez :

O seu filho sabe perdoar:

Emília e o filho, Óscar, de seis anos, tiveram uma grande discussão. Para não nos perdermos com os pormenores, digamos apenas que a mãe de Óscar queria que ele tomasse um banho e ele achava que estava perfeitamente limpo. Houve gritos, choros, insultos e ameaças. Uma testemunha imparcial iria reconhecer que a maior parte do choro veio de uma das partes do conflito e a maior parte dos insultos e das ameaças da outra.

Isso aconteceu há uma hora. Qual destas duas pessoas pensa você que está agora feliz e contente, e continua com as suas ocupações como se nada se tivesse passado, mostrando-se mesmo mais alegre e bajulador do que habitualmente; e qual delas é mais provável que esteja ainda aborrecida, fazendo censuras e resmungando?

"Olha mamã, olha o que estou a fazer." Não, a mamã não se ri. "Vamos ao jardim zoológico no domingo? "E tu achas que mereces? Achas que te portaste bem?

Artur, o pai, regressa agora do trabalho. Qual das frases seguintes pensa que vai ouvir:
a) A mamã foi terrível esta tarde,não imaginas a cena que me fez.Tens de falar com ela.
b)O menino esteve toda a tarde muito impertinente, não me obedeceu.Tens de falar com ele.


Os nossos filhos perdoam-nos todos os dias dezenas de vezes. Perdoam sem fingimentos,sem censuras, até esquecer por completo o problema. Deixam de estar aborrecidos muito mais rapidamente do que nós.
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De Anonimo a 19.06.2014 às 07:49

Maria, desculpe, mas eu so consigo pensar que é na verdade o anacleto. O discurso, o nao aguentar simplesmente nao responder a algo que vai ser discussao ingloria e o nao aceitar que se esteve menos bem (como nesta afirmaçao precipitada sobre o filho da leitora).
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De Maria e não Anacleto a 19.06.2014 às 08:09

Não sou o Anacleto e admito perfeitamente que possa ter estado " menos bem"...

Mas considero mais grave apoiar alguém que nos diz categoricamente que devemos deixar bebés chorar e que isso é para o bem deles.
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De anonimo a 19.06.2014 às 10:04

ok Maria, é bom admitir. Embora depois tenha usado um exemplo dos que estiveram "menos bem" ainda, incorrendo naquilo que criticou acima (de exemplificar com coisas piores). É o "Peço desculpa. Mas..."
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De Clara a 18.06.2014 às 10:48

Assim que li a entrevista pensei em si :)
Confesso que também me revejo muito mais nesta 'versão' de educação.

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Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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