Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Num daqueles acontecimentos em cadeia que só a blogosfera pode proporcionar, e que no final descamba num lindo feastim de coincidências, aconteceu isto:
A Ana Garcia Martins, a.k.a. A Pipoca Mais Doce, imperatriz da blogosfera portuguesa e grande companheira de antigas aventuras na Time Out, colocou no seu blogue uma foto da sua árvore de Natal. Esta foto, mais precisamente:
Ui, o que ela foi fazer. A desvantagem de ter um blogue todo fashion é que, subitamente, uma simples e inocente fotografia sobre uma árvore de Natal se transforma muito depressa numa enxurrada de comentários (nem todos simpáticos) não sobre a árvore propriamente dita, mas sobre a beleza dos sofás e - sobretudo - sobre... a ausência de cortinados na sua sala.
Oh, sim, os cortinados. Sempre os malditos cortinados. O horror de uma catrefada de leitores menos encantadores do que aqueles que frequentam o Pais de Quatro desceu de repente sobre a sua cabeça, e a Ana sentiu-se obrigada a escrever um post sobre o facto de... não gostar de cortinados!
E eu pensei cá para mim: "Grande Pipoca, é isso mesmo, atira-te às cortinas! Tu percebes disto, pá, explica ao mundo que os cortinados são a maior foleirice portuguesa desde a última vez que a Paula Bobone saiu à rua!"
Mas a pressão social é uma coisa terrível. O post da Ana começava muito bem, assim desta maneira:
Como seria de esperar, este post provocador por parte da minha esposa não poderia ficar sem resposta. As senhoras têm uma obsessão com cortinados que urge combater - e eu decidi fazê-lo novamente em forma de canção, na minha caminhada penitencial em direcção à absoluta degradação pública.
Devo dizer que não estava a pensar reincidir, a bem dos ouvidos da pátria, mas depois de ver tantas mulheres a humilharam-me publicamente, na sequência do primeiro duelo musical deste blogue, eu, embora desafinado e deficiente da fala, aqui estou novamente a dar o corpo às balas. Prometi e cumpri. Venham de lá essas críticas...
As janelas da nossa casa não têm direito a cortinas (excepto na cozinha onde o calor no Verão é insuportável), pois o meu marido tem uma conhecida aversão a tudo o que tapa a entrada do olhar livre. Já aqui falou disso e para sublinhar as suas razões encontrou fotos de reposteiros do mais exagerado possível e acabou muito acompanhado nesta sua irrevogável decisão. Não escolheu um simples rolinho de black-out, como os que eu queria para a nossa janela do quarto, por exemplo, e que não incomodam ninguém.
Mas como em Portugal ultimamente nada é realmente irrevogável, nos últimos dias anunciou que afinal a casa precisava de cortinas, mas numa única janela. Fiquei curiosa e pensei que finalmente o meu marido tinha percebido que vestir-se praticamente às escuras no nosso próprio quarto, pela necessidade de ter que baixar os estores em pleno dia, para não entreter os vizinhos da frente, era completamente desnecessário. Mas não.
Afinal, a única coisa que merece ser preservada nesta casa são os livros do meu excelentíssimo esposo, que estão ultimamente a ser martirizados pela luz do sol que entra na nossa biblioteca, através de uma das janelas. Coitadinhos dos livrinhos...