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Sobre a sesta

por João Miguel Tavares, em 09.10.14

Já que muita gente partilhou a sua opinião sobre a sesta neste post, aproveito para vos contar a minha experiência. No infantário dos meus filhos a sesta é obrigatória até aos seis anos de idade, em parte por razões fisiológicas (faz bem aos putos), em parte por razões logísticas (o infantário é pequeno e se uma ou duas salas não tivessem a rotina do repouso seria uma barulheira e o caos em todo o lado).

 

Tal como muitos leitores, eu também tenho a perfeita noção de que os miúdos têm ritmos biológicos diferentes. Uns precisam de dormir mais, outros menos. Por exemplo, a sesta nunca foi um problema para o Tomás, mas quando o Gui tinha cinco/ seis anos já não precisava de dormir assim tanto à tarde - e o dormir muito à tarde fazia com que ele não dormisse à noite tanto quanto eu achava que ele deveria dormir.

 

Não sei se um infantário ter salas de repouso para quem precisa de sesta e salas de brincadeira para quem não precisa seria uma grande solução - pela simples razão de que os miúdos se copiam uns aos outros, e seria difícil ao fim de pouco tempo a sala de repouso não ficar às moscas. Os miúdos nunca querem dormir. Mas acho, sem dúvida, importante que os tempos de repouso sejam apropriados a cada uma das idades. Enquanto a minha filha Rita às vezes ainda lhe enfia com três horas de sesta à tarde, provavelmente ao Gui chegaria meia hora de repouso aos cinco anos - até para depois fazer a transição para a escola.

 

Mas percebo perfeitamente que as limitações físicas de infantários que vão dos seis meses aos seis anos torne esta minha teoria de muito difícil execução. Cheguei a conhecer pais que tiraram as crianças de lá por causa do tema da sesta. Só que um infantário é muito mais do que isso - e também precisamos de compreender a lógica com que o outro lado organiza as suas rotinas, tendo em conta o espaço físico em que as crianças se movem.

 

cartoon.jpg

 

 

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publicado às 11:17


Quando é que eles devem ir para o infantário? #2

por João Miguel Tavares, em 07.10.14

O Dr. Mário Cordeiro voltou a dar-se ao trabalho de responder aos meus desafios, e aqui ficam os seus sábios conselhos, para que não morram na caixa de comentários. (Já agora, aproveito para lhe dar publicamente os parabéns por o seu novo livro, Educar com Amor, estar em primeiro lugar do top do Expresso de Não Ficção - embora dentro da lógica "A minha vida familiar dava um filme", não sei se Não Ficção será a categoria mais adequada...).

 

Só mais uma coisa: como se verá pela sua resposta e pelos comentários de alguns leitores, o Dr. Mário abre aqui uma nova questão onírico-educativa chamada "a sesta". Talvez também valha a pena falarmos todos sobre ela. Para já, convido-vos a ler as muito bem sistematizadas ideias do Dr. Mário:

 

Já que o JMT me pede a opinião, e para ser sucinto, diria:


- não fazer um "cavalo de batalha" acerca do assunto porque cada um é que sabe as linhas com que se cose... se há apoios, se não há, se os apoios que há são eficientes e dão conta do recado (aturar uma criancinha de 18 meses é obra e exige arcaboiço físico e psicológico, mais até do que estimular ou dar de comer...), etc, etc;


- idealmente, a entrada seria aos dois anos e picos (depende muito de quando faz anos, mas há cada vez mais escolas a ter duas entradas: Setembro e Março);


- antes dessa idade, a interacção social é mais para roubar brinquedos do que para jogo em conjunto. Todavia, com a ausência de irmãos, primos e vida de aldeia, as crianças podem ficar um bocado isoladas;


- as "ranhites" e afins aparecem em força, claro. Não quer dizer que ficar em casa seja passaporte para a felicidade, mas [nos infantários] a carga de infecções é maior (dez vezes maior, estatisticamente), embora a maioria sejam coisas simples, embora causem alguma disrupção na vida laboral e no quotidiano dos pais, sobretudo quando não há "SOS-avós";


- há crianças que, embora recebendo esta bicharada toda, não reagem; outras é diariamente...;


- por outro lado, numa escola há sempre a certeza de haver lá educadores (só depois, no 1º ciclo, é que o senhor professor NC começa a deixar turmas semanas a fio sem "s´tores"...), ao passo que uma pessoa em casa pode ficar doente ou, pura e simplesmente, avisar na sexta à tarde que já não regressa na segunda de manhã;


- sem dramas, é ver qual a melhor solução para o ecossistema familiar. As crianças não vivem isoladas e têm de se enquadrar na vida dos pais;


- a partir dos 2 anos, dois e meio, sim... aí já faz falta;


- convém escolher uma escola que siga, pelo menos parcialmente, o Movimento da Escola Moderna, em que se ensina pela cultura e pelo afecto, em que os pais fazem parte da comunidade escolar e em que se brinca muito. E, também, em que não há espartilhos de idades, mas apenas três conjuntos: os grandes, os médios e os pequenos, com grande interacção entre todos;


- Ah. Last but not least: em que se possa dormir a sesta até aos 6 anos!

 

 

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publicado às 13:30


Big Mother is watching you

por João Miguel Tavares, em 17.09.14

Um homem em casa a escrever.

 

Uma criança adoentada a dormir.

 

Uma mulher a trabalhar a 21 quilómetros de distância.

 

Obras barulhentas no prédio.

 

Um telefonema da mulher para o homem: "Importas-te de perguntar aos senhores lá de cima se podem parar de usar o martelo pneumático à hora da sesta?"

 

Medo.

 

Muito medo.

 

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publicado às 16:00



Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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